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Foi amigável e construtivo, mas só mesmo isso

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Os dois ministros em conferência de imprensa, mas não esta segunda-feira: isto aconteceu a 5 de fevereiro de 2015, quando ambos concordaram em discordar

Reuters

Varoufakis foi a Berlim falar a sós com Schäuble. À saída, explicou como foi e o que não aconteceu

Por enquanto, ainda só há a versão de Varoufakis - e é curta. "Foi uma reunião muito amigável e construtiva", declarou o governante helénico à saída de um encontro com o ministro das Finanças germânico, esta segunda-feira. Schäuble não se pronunciou até ao momento.

Questionado sobre eventuais concessões, Yanis Varoufakis garantiu que "não negociou", em resposta a uma jornalista da televisão alemã ARD. Ou seja, foi amigável e construtivo, mas só mesmo isso. "Ambos entendemos o problema e todo o propósito da conversa foi alcançar uma solução para o impasse. Acredito que o encontro foi útil para solidificar o processo dos últimos dias ou semanas antes de termos um acordo final", acrescentou.

Defendendo que a União Europeia e a zona euro vivem momentos difíceis, Varoufakis lembrou que o dever dos governantes é "assumir responsabilidade ao mais alto nível de forma a tentarem alcançar um acordo que é absolutamente essencial para a integridade da zona euro".

Esta reunião entre os dois governantes insere-se numa tentativa de alcançar um "acordo intercalar" entre a Grécia e os credores. O chefe do governo grego, Alexis Tsipras, também se deverá encontrar entretanto com a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, François Hollande, à margem da cimeira entre a União Europeia e a América Latina. 

Líderes do G7 apelam a acordo com Atenas
Neste fim de semana, os líderes do G7 também apelaram ao fim do impasse negocial entre a Grécia e os credores. Angela Merkel reiterou que estão a ser feitos "todos os esforços" com vista a um acordo, embora ainda não tenha sido possível alcançá-lo. 

Jean-Claude Juncker acusou, por sua vez, Tsipras de mentir em relação ao plano apresentado pelos credores. "Ele apresentou a nossa proposta [das instituições] como sendo uma oferta do 'sai ou fica' e não foi de facto essa a mensagem transmitida", declarou o presidente da Comissão Europeia  

Antes, o primeiro-ministro grego tinha classificado a proposta apresentada pelos credores como "claramente irrealista", sublinhando esperar que as instituições conseguissem também ir ao encontro das perspetivas gregas.

Na quinta-feira, Yanis Varoufakis convidou a chanceler germânica a visitar Atenas para transmitir uma mensagem de esperança. "Um 'Discurso de Esperança' para a Grécia faria toda a diferença agora não só para nós, mas também para os nossos credores, uma vez o nosso renascimento colocaria um ponto final no risco de incumprimento”, escreveu o ministro grego das Finanças numa coluna de opinião no Project Syndicate.

Nesse mesmo dia, a Grécia anunciou ao Fundo Monetário Internacional (FMI) que não iria pagar a prestação do empréstimo na sexta-feira, optando por efetuar os quatro pagamentos - no valor de 1,5 mil milhões de euros - até ao fim do mês.

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