Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

A "situação impossível": um PM acusado de corrupção, um PR que quer demissões

  • 333

Victor Ponta

OCTAV GANEA / EPA

A verdade e nada mais. Promessa de primeiro-ministro acusado de corrupção, que recusa demitir-se e quer defender-se perante a Justiça. A Roménia vive dias agitados

“Estou inocente e irei comparecer tantas quantas vezes as necessárias perante os procuradores para me defender das acusações. Estou convencido de que a verdade virá à tona.” Palavras do primeiro-ministro da Roménia, Victor Ponta, este domingo em conferência de imprensa transmitida pelas televisões.

O social-democrata que lidera um governo de coligação é suspeito de envolvimento na prática de crimes de evasão fiscal, branqueamento de capitais e conflito de interesses.

Na sexta-feira, dia 5, a Direção Nacional Anticorrupção romena interpôs um processo penal contra o chefe do Governo por crimes alegadamente praticados em 2007, quando exercia advocacia, mas também enquanto ministro em 2008. Para que possa ser julgado, o Parlamento terá de retirar a imunidade a Victor Ponta, já que também é deputado.

Ainda na sexta-feira, o presidente romeno, o conservador Klaus Iohannis, pediu ao primeiro-ministro para se demitir. Argumentou o chefe de Estado, e principal adversário político de Ponta, que a abertura de um processo judicial deixa o país numa "situação impossível" e que "o pior que pode acontecer é uma crise política". Mas o primeiro-ministro recusou demitir-se e este domingo explicou publicamente porquê.

“Vivo dias difíceis, pessoal e politicamente, mas entendo que tenho um mandato, uma responsabilidade que recebi dos cidadãos. Tenho a obrigação, como primeiro-ministro, de me explicar aos cidadãos, que são afetados pelas decisões do Governo”, disse Victor Ponta depois de se ter reunido com os líderes da coligação no Parlamento. “Numa sociedade democrática o povo decide e a sua decisão não pode ser alterada pelo julgamento de um único homem”, acrescentou o chefe do Executivo romeno.

Censura no Parlamento
Ainda que Ponta detenha uma maioria no Parlamento, está politicamente enfraquecido desde a derrota nas presidenciais do ano passado. Acresce que, a intenção de avançar judicialmente contra o chefe do Governo coincidiu com a apresentação de uma moção de censura.

Victor Ponta, de 43 anos, desde 2012 como primeiro-ministro, já sobreviveu a vários escândalos. A União Europeia acusou-o de manobras “pouco democráticas” e de “violar sistematicamente a Constituição”para afastar da presidência o antigo rival, Traian Basescu. No ano que assumiu a chefia do Executivo foi acusado de plágio na sua tese de doutoramento num artigo publicado na conceituada revista “Nature”. Em dezembro do ano passado acabou por renunciar ao título de doutor.

A corrupção está institucionalizada na Roménia. Em 2013 e 2014, o ex-primeiro-ministro, Adrian Nastase, mentor político de Ponta foi condenado a quatro anos de prisão por corrupção e nos últimos meses a Direção Nacional Anticorrupção, liderada pela procuradora Laura Codruta-Kovesi, acusou diversos altos responsáveis políticos. Em março, o ministro das Finanças demitiu-se e em maio foi condenado por fraude nas eleições de 2012.