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Turquia redesenha o Parlamento em eleições cruciais

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Selahattin Demirtas, líder do partido pró-curdo HDP

DENIZ TOPRAK/EPA

As urnas na Turquia já abriram e 50 milhões de turcos vão escolher que forças terão assento no Parlamento de Ancara. A julgar pelas sondagens, o partido de Erdogan, AKP, poderá ter de formar um governo de coligação

A Turquia vai hoje a votos numas legislativas onde o Presidente Recep Tayyip Erdogan espera conseguir uma maioria que transforme o país numa república presidencial. O Presidente tem planos para mudar a Constituição turca, com a intenção de instituir na Turquia um regime presidencialista e absolutista. 

O partido democrático pró-curdo (HDP) poderá não facilitar a vida ao Presidente, que lidera um país com a mais alta barreira parlamentar, criada precisamente para impedir que os partidos curdos possam ter lugar no Parlamento.

Caso consiga ultrapassar os 10% de votos, o HDP assegurará o dobro dos deputados que tem atualmente e reduzirá significativamente a maioria do AKP (partido de Erdogan). Terá ainda a possibilidade de se reforçar no processo negocial com o Governo turco para resolver o conflito armado entre turcos e curdos, que fez mais de 30 mil mortos. 

De acordo com as sondagens publicadas no país, o partido de Erdogan, o AKP, poderá conseguir a maioria absoluta mas por margem mínima, o que não acontecia há vários anos. No cenário de um governo minoritário, o AKP terá de formar uma coligação pós-eleitoral.

Segundo os números publicados no Expresso deste sábado, o AKP poderá ficar-se pelos 42%, seguido do CHP (Partido Republicano do Povo, o principal partido da oposição) com 26%, do MHP (partido da Ação Nacionalista, de direita) com 17% e do HDP (partido pró-curdo) com 10%. 

Para a BBC, as eleições deste domingo representam o maior desafio eleitoral para o AKP desde que chegou ao poder há 13 anos. Erdogan serviu o país como primeiro-ministro até ser eleito Presidente em 2014. 

A campanha eleitoral turca ficou marcada pelo envolvimento de Erdogan nos atos de campanha e por explosões, que mataram quatro pessoas num comício eleitoral, em Diyarbakir, na sexta-feira. 

As autoridades confirmaram que o atentado foi causado por bombas artesanais e o líder do HDP, Selahattin Demirtas, responsabilizou o Presidente turco pelas mortes.