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Juncker diz estar "dececionado" com o primeiro-ministro grego

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Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, e Donald Tusk, Presidente do Conselho Europeu, estiveram juntos na conferência de imprensa que antecedeu o arranque da Cimeira do G-7 na Alemanha

CHRISTIAN HARTMANN/REUTERS

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, diz estar ainda à espera da segunda proposta que o governo grego ficou de enviar e que Alexis Tsipras tem adiado. A situação na Grécia vai ocupar grande parte da discussão da Cimeira do G-7, que começou este domingo

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, criticou este domingo o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, pela sua atitude perante o Parlamento grego e por não ter ainda apresentado uma proposta como alternativa à que foi apresentada pelos credores internacionais sobre o plano de reformas a implementar por Atenas. 

As declarações de Juncker decorreram durante a conferência de imprensa que antecedeu o arranque da Cimeira do G-7, que está a decorrer este domingo na Alemanha.

Juncker fez referência ao discurso de Tsipras no Parlamento grego, onde apresentou a proposta dos credores internacionais como "um ultimato" e que  deixou "dececionado". 

"[Tsipras] apresentou a proposta de acordo como se fosse minha exclusivamente e sabe perfeitamente que não é o caso e, durante o encontro na passada quarta-feira, eu estava perfeitamente preparado para discutir os principais pontos de desacordo entre a Grécia e as instituições", declarou, citado pela Lusa.

Entre as críticas de Juncker a Tsipras está também o facto de ainda não ter recebido uma proposta alternativa.

"Alexis Tsipras prometeu que na quinta-feira à noite apresentaria uma segunda proposta. Depois disse que a apresentaria na sexta. E depois disse que seria sábado. Mas eu não recebi essa proposta, portanto espero recebê-la em breve. Gostaria de ter essa proposta da Grécia", afirmou Juncker durante a conferência de imprensa, citado pelo jornal britânico "The Guardian".

O presidente da Comissão Europeia disse não ter "nenhum problema pessoal" com o primeiro-ministro grego que considerou "um amigo", mas, alertou, "para a amizade se manter têm que ser cumpridas algumas regras mínimas". 

Do lado grego
A Grécia deu a entender estar determinada a rejeitar as últimas propostas da União Europeias. Este domingo, o ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, disse que Atenas não se vai deixar "aterrorizar".

"Foi um movimento agressivo projetado para aterrorizar o Governo (...) sem entender que o Governo grego não pode ser aterrorizado", disse Yanis Varoufakis ao diário Proto Thema, citado pela Lusa.

A Comissão Europeia apresentou durante a semana passada em Atenas um documento de cinco páginas de medidas de poupança, incluindo, em particular, um aumento do IVA e cortes nos salários e pensões. 

Na sexta-feira, o primeiro-ministro Alexis Tsipras já tinha classificado as propostas dos seus parceiros europeus como "absurdas" e explicou que Atenas não aceitaria um acordo que não incluísse a reestruturação abismal da dívida do país.

"O documento apresentado ao primeiro-ministro está no limite do insulto", acrescentou Yanis Varoufakis. "Precisamos de reformas, de reestruturação da dívida e de investimento (...) se não temos os três em conjunto não vamos assinar", alertou o ministro das Finanças.

Atenas adiou o pagamento de 300 milhões de euros em dívida para com o Fundo Monetário Internacional (FMI) na semana passada e decidiu pagar a restante dívida de uma só vez no final do mês. 

O Governo grego deve, portanto, conseguir 1,6 mil milhões de euros em três semanas, e que deverá passar por um acordo com seus credores, principalmente o FMI e a União Europeia.

Se a Grécia não honrar estes pagamentos até 30 de junho, entrará em incumprimento e com a ameaça de uma saída da zona do euro.

Os gregos, o FMI e a União Europeia travam uma batalha há semanas para que seja implementado um plano austeridade, que determina a a poupança de 7,2 mil milhões de euros, o remanescente que teria de ser pago no outono de 2014, como fazendo parte do plano de assistência internacional implementado em 2010.

A situação na Grécia vai ocupar grande parte da discussão na Cimeira do G7 na Alemanha, que começou este domingo.