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Papa elogia progressos na Bósnia e pede a continuidade do diálogo

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O papa Francisco com o cardeal bósnio Vinko Puljic em frente à Catedral do Sagrado Coração em Sarajevo, na Bósnia-herzegovina

STRINGER/REUTERS

O papa apelou à comunidade internacional e, "em particular à União Europeia", que contribua para que o processo de paz na Bósnia-Herzegovina "seja cada vez mais sólido e irreversível"

O papa Francisco elogiou este sábado, em Sarajevo, na Bósnia-Herzegovina , "os progressos" vividos no país, nos últimos anos, mas defendeu que o diálogo para a paz deve ser sólido e irreversível.

"Tenho o prazer de ver os progressos realizados, que devemos agradecer ao senhor e a tantas pessoas de boa vontade. No entanto, é importante não se contentar com o que já foi alcançado, mas procurar adotar novas medidas para fortalecer a confiança e criar oportunidades para que aumente a compreensão e o respeito mútuo", disse o papa.

Francisco fez estas reflexões durante o seu discurso durante a cerimónia de boas-vindas no palácio Presidencial, na capital da Bósnia-Herzegovina.

O papa apelou ainda à comunidade internacional e, "em particular à União Europeia", que contribua para que "o processo de paz começado seja cada vez mais sólido e irreversível".

"Mesmo as feridas mais profundas podem ser curadas através de um processo que purifique a memória e dê esperança para o futuro", disse, referindo ainda que se deve "colaborar, construir e dialogar, perdoar e crer" para fomentar a convivência pacífica "em vez do grito fanático do ódio".

O papa recordou a visita de João Paulo II em 1997 a Sarajevo, que ainda tentava recuperar-se da guerra (1992-1995), mostrando ainda a sua satisfação por pisar a capital bósnia "como peregrino da paz e do diálogo".

"É para mim um motivo de alegria encontrar-me nesta cidade, que sofreu tanto por causa dos sangrentos conflitos do século passado e voltou a ser um lugar de diálogo e convivência pacífica", sublinhou.

Francisco afirmou que a Bósnia-Herzegovina "tem um significado especial para a Europa e para o mundo inteiro", pois nestes territórios "existem comunidades, que há séculos professam religiões diferentes e pertencem a etnias e culturas distintas, cada uma com as suas características peculiares e orgulhosa das suas tradições específicas".

O papa pediu aos responsáveis políticos do país para protegerem "os direitos fundamentais da pessoa, entre os quais destaca a liberdade religiosa" para assegurar "a efetiva igualdade de cada cidadão diante da lei independentemente da sua origem étnica, religiosa e geográfica".

Só assim, afirmou o papa, "todos e cada um se sentirão plenamente participantes da vida pública e, desfrutando dos mesmos direitos, poderão dar o seu contributo específico ao bem comum".

O atual Presidente da Bósnia-Herzegovina (cargo rotativo), o sérvio Mladen Ivanic, disse confiar que "o tempo da falta de entendimento, da intolerância e divisões ficou para trás", que aprenderam a lição do passado recente e que diante deles está "um novo tempo de entendimento, reconciliação e cooperação".

Ivanic esteve acompanhado pelos outros membros que formam a composição presidencial do país, o muçulmano Bakir Iztbegovic, e o croata Dragan Covic.

"Desejamos edificar a Bósnia-Herzegovina como uma sociedade à medida do homem e de todas as religiões. O cumprimento deste objetivo não é fácil e representa um grande desafio, tanto para os líderes políticos e religiosos como para cada cidadão", afirmou Ivanic.

O Presidente bósnio acrescentou que a "Bósnia-Herzegovina tem sido um símbolo do verdadeiro entendimento das diferenças étnicas e religiosas, mas também das profundas divisões, conflitos e sofrimentos".

Depois da reunião com as autoridades bósnias, o papa dirigiu-se para o estádio olímpico de Sarajevo para rezar uma missa para cerca de 65 mil fiéis.