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Dez atacaram Malala. Só dois estão a cumprir pena

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OLI SCARFF/ AFP/ Getty Images

Os oito homens foram “libertados em segredo”, depois de terem sido condenados a 25 anos de prisão

Entraram no autocarro escolar, em Khyber Pakhtunkhwa, no Paquistão. Gritaram pelo nome de Malala. Apontaram-lhe a arma e dispararam três vezes. Foi a 9 de outubro de 2012, mas só no ano passado é que foram apanhados. O julgamento dos talibãs decorreu à porta fechada, mas no final de abril foi divulgado que todos os suspeitos tinham sido condenados a 25 anos de prisão. Agora descobriu-se que afinal só dois é que estão a cumprir pena.

As autoridades paquistanesas estão a ser acusadas de mentir. Segundo avança esta sexta-feira o jornal britânico “Daily Mirror”, oito dos acusados foram “secretamente absolvidos”.

“Não estão atrás das grades 10 homens, como as autoridades paquistanesas querem fazer acreditar. Isso é uma grande mentira”, disse uma fonte oficial, citada pelo “Daily Mirror”.

O jornal inglês tentou localizar os condenados, mas quando os procurou só conseguiu chegar a dois. Dos restantes nem rasto. A descoberta vem colocar em causa tanto o sistema judicial do Paquistão, como a gestão do caso por parte das autoridades locais.

“Durante o processo, os 10 admitiram e confessaram a participação no ataque a Malala perante o juiz do tribunal antiterrorista. No entanto, só dois deles, Ishar Khan e Israullah Khan, foram condenados, enquanto os restantes saíram em liberdade no passado dia 30 abril”, garantiu Naeem Khan, um fiscal citado pela agência Reuters.

Julgamento à porta fechada 
A polícia local confirmou entretanto que só dois dos talibãs foram condenados e acusa a imprensa de ter feito uma grande confusão sobre o assunto. Uma coisa é certa, até o “Daily Mirror” começar a vasculhar nunca nada foi desmentido ou corrigido. As autoridades acabaram por deixar o mundo acreditar que todos os homens estavam presos.

Os 10 suspeitos foram detidos em setembro do ano passado, mas pouco ou nada se sabe sobre as circunstâncias em que tudo aconteceu. O homem que disparou terá alegadamente fugido pela fronteira com Afeganistão.

A 9 de outubro de 2012, quando as balas atingiram Malala, a jovem paquistanesa só tinha 15 anos. Nos dias seguintes esteve inconsciente e em estado muito grave. Assim que melhorou foi transferida para um hospital em Inglaterra.

Atualmente, a vencedora do Prémio Nobel da Paz em 2014 vive em Birminghan, no Reino Unido, com a família e não pode regressar ao Paquistão, pois foi ameaçada de morte.