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Blatter liderou empresa 'fantasma' que terá transferido milhões para a FIFA

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ALESSANDRO DELLA BELLA / EPA

Joseph Blatter integrou durante sete anos a direção de uma empresa que terá transferido 112 milhões de euros para a FIFA. Presidente demissionário diz que já está a "trabalhar arduamente" nas reformas que o organismo precisa. 

Durante sete anos, uma empresa 'fantasma' sediada em Dublin terá transferido cerca de 112 milhões de euros para a Federação Internacional de Futebol (FIFA). Joseph Blatter integrava a direção, avança o jornal "Irish Independent".

Criada em 2011, a FIFA Ireland Ltd  terá permitido ao presidente do organismo máximo do futebol mundial usufruir de vantagens fiscais e transferir milhões de euros para a sede em Zurique. A empresa - que não contava com nenhuns colaboradores -, foi encerrada de forma voluntária em 2008, de acordo com o jornal irlandês.

Em reação, a FIFA explicou que essa subsidiária na Irlanda foi fundada com o objetivo de facilitar a celebração acordos com os parceiros comerciais japoneses. "Naquela altura o acordo sobre a dupla tributação assinado entre a Irlanda e Japão oferecia uma melhor proteção quando comparado com o antigo acordo de dupla tributação existente entre Japão e Suíça", afirmou o organismo.

Entretanto, Blatter que renunciou à presidência da FIFA na terça-feira, quatro dias após a sua reeleição, afirmou esta noite que já está a trabalhar nas reformas que o organismo necessita. "Foi uma reunião construtiva para estabelecer um quadro de ação e um calendário com vista a uma reforma significativa da administração e da estrutura da FIFA. Estamos a  trabalhar arduamente nas reformas", declarou o presidente demissionário.

Depois de Chuck Blazer, antigo membro do comité executivo da FIFA, assumir um papel chave na investigação- confessando crimes e denunciando outros membros do organismo - também o ex-vice-presidente Jack Werner se mostrou disponível para colaborar com as autoridades, embora "tema pela sua vida."

Esta quinta-feira, Warner ameaçou divulgar documentos e cheques da FIFA que irão provar várias irregularidades. "Reuni uma série de documentos e relatórios detalhados que incluem cheques  que depositei em vários sítios e em diferentas mãos. Peço perdão ao povo de Trinidade e Tobago por ter permitido estes comportamentos", afirmou o ex-presidente da CONCACAF (Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caraíbas) a uma televisão local.

O Departamento de Justiça dos EUA considera que 14 dirigentes e ex-dirigentes da FIFA aceitaram subornos no valor de 150 milhões de dólares (135 milhões de euros) ao longo de 24 anos.