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Internacional

"Economia azul" revoluciona mares e oceanos

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Nkosazana Dlamini Zuma, presidente da Comissão da União Africana

Nuno Botelho

Dois encontros internacionais reúnem em Cascais e Lisboa os potenciais decisores oficiais e privados do setor dos mares: a World Ocean Summit, organizada pela revista "The Economist", e a Semana Azul, uma iniciativa que junta em Lisboa 70 ministros do setor. Novos paradigmas económicos para o futuro global

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

“Não queremos repetir os erros da revolução industrial, queremos lançar a economia azul equilibrando o desenvolvimento das indústrias marítimas com o objetivo de criar emprego, mas de forma sustentável para o ambiente”, disse a presidente da Comissão da União Africana (UA) na entrevista de abertura da World Ocean Summit organizada pela revista “The Economist”, que decorre esta quinta e sexta feira em Cascais.

Nkosazana Dlamini Zuma dirigiu-se às dezenas de participantes vindos de todo o mundo com palavras de incentivo à realização de múltiplas parcerias internacionais no desenvolvimento dos programas em África. A presidente da Comissão da UA sublinhou a importância da união do continente africano - lembrando a considerável quantidade de países no continente que não têm acesso direto à costa - no lançamento do programa “Década dos Mares e Oceanos Africanos”, uma estratégia marítima acabada de lançar com o objetivo de responder “os desafios marítimos africanos” que permitam aos 54 países do continente empreender um “desenvolvimento sustentável que lhes dê competitividade à altura”.

Parcerias para o desenvolvimento

As declarações da dirigente da UA responderam às perguntas do anfitrião da conferência, Daniel Franklin, editor executivo da revista “The Economist”. As questões envolvidas numa abordagem abrangente dos setores referentes aos mares e oceanos do ponto de vista de África implicam uma enorme variedade de áreas e frentes de trabalho para as quais Nkosazana Dlamini Zuma apelou a parcerias internacionais. As parcerias abrangem investimento, desenvolvimento de capacidade de trabalho locais, implicando formação profissional e criação de emprego. A líder da UA lembrou que “já existe uma economia azul”, mas “até agora a maior parte do benefício não é dirigido aos africanos”. Disse ainda que, neste momento em que o continente africano pode unir-se em torno do desenvolvimento dos mares e oceanos, é importante que o faça a nível continental. No entanto, todo o tipo de parcerias são possíveis e desejáveis, sejam elas a nível regional ou bilateral com cada país do continente.

Questões como o desenvolvimento das infraestruturas, despejo de lixos tóxicos na costa africana, pesca abusiva em águas territoriais africanas e questões de segurança e pirataria marítima dão ideia dos desafios a vários níveis que esta “Década dos mares e Oceanos Africanos” representa no momento, ao mesmo tempo que relança de forma concentrada algumas questões da agenda 2063 da UA.

A World Ocean Summit propõe este encontro internacional para desenvolver os contornos da “economia azul” no sentido de desenvolver uma nova visão do oceano e das costas como uma nova forma de crescimento económico, criação de emprego e investimento. A grande oportunidade do momento é aplicar os conhecimentos adquiridos com os erros do passado e investir, a partir de agora, de forma responsável e sustentável nos oceanos.