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FBI investiga irregularidades na atribuição dos Mundiais de 2018 e 2022

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FOTO Philipp Schmidli/Getty

O FBI está a investigar também alegados subornos na atribuição dos Mundiais de futebol na Rússia e no Qatar. Autoridades helvéticas já tinham anunciado que essas suspeitas estavam sob investigação.

Há um ponto em comum nas investigações à FIFA que decorrem em paralelo nos EUA e na Suíça: os alegados subornos na escolha dos anfitriões dos Mundiais de futebol de 2018 e 2022. Segundo a Reuters, que cita uma fonte ligada ao processo, a atribuição destes campeonatos respetivamente à Rússia e ao Qatar está a ser também analisada pelo FBI, à semelhança do que já tinha sido também declarado pelas autoridades suíças.

Há uma semana, logo após a detenção de sete altos dirigentes da FIFA, em Zurique, o Ministério Público suíço anunciou que tinha aberto um inquérito por suspeitas de “branqueamento de capitais e gestão danosa” na atribuição dos Mundiais de 2018, na Rússia, e de 2022, no Qatar. 

De acordo com a mesma fonte, o FBI está a investigar além do teor das acusações que na passada quarta-feira levaram à detenção de sete funcionários altos dirigentes da entidade que rege o futebol mundial por suspeitas de corrupção. Um dos aspetos que levantam dúvidas às autoridades norte-americanas são as regalias de Joseph Blatter, o líder histórico da FIFA que permaneceu no cargo por 17 anos.

Ronaldo quer demissão de presidente da CBF
A Federação Internacional de Futebolistas Profissionais (FIFPro) já se congratulou com a demissão de Blatter, considerando ser uma oportunidade para se avançar com uma reforma do sistema de governação da FIFA.  "No final de uma reunião de dois dias do conselho Fifpro, exigimos a plena responsabilidade para os jogadores e todas as outras partes interessadas, incluindo os fãs, que foram atingidos com a crise de confiança que envolve a FIFA como órgão máximo do futebol mundial", refere o sindicato em comunicado. 

O antigo jogador brasileiro Ronaldo defendeu, por seu turno, a demissão do atual presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Marco Polo Del Nero. "Gostaria muito que ele (Marco Polo Del Nero) se demitisse, pois não seria um bom exemplo continuar no cargo dada a sua relação evidente com o ex-presidente da CBF e atual vice-presidente, José Maria Marin. É revoltante ver a gestão do futebol brasileiro e mundial envolvido nesta crise de corrupção", disse Ronaldo durante um evento em São Paulo.  

Jerôme Valcke sem "nada a dizer" ou "provar"
Entretanto, o secretário-geral da FIFA, Jérôme Valcke, recusou esta quarta-feira comentar a investigação norte-americana que o acusa de ter transferido 10 milhões de dólares para contas geridas pelo ex-vice-presidente do organismo, Jack Warner, um dos indiciados no escândalo de corrupção.

"Não tenho nada a dizer. Não tenho qualquer razão para dizer que não devo continuar como secretário-geral, não tenho nenhuma responsabilidade, não tenho de provar que sou inocente”, declarou Jerôme Valcke à radio France Info, citado pela AFP.

Na terça-feira, Joseph Blatter apresentou a sua demissão do cargo, prometendo convocar um congresso extraordinário para eleger um sucessor, um processo que deverá demorar alguns meses. Para a investigação que tem como alvo o presidente demissionário da FIFA será fundamental a colaboração de outros indiciados, segundo avançaram outras fontes ligadas ao processo ao canal ABC News e ao jornal "New York Times".