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O plano grego “tem 46 páginas, é vago e precisa de ser aperfeiçoado”

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YANNIS KOLESIDIS / EPA

Notícias de que os gregos submeteram uma proposta surgem na sequência de um encontro de emergência em Berlim que reuniu Merkel, Hollande, Juncker, Draghi e Lagarde

A Grécia garante que enviou segunda-feira um plano de reformas para Bruxelas, mas do lado dos credores ninguém confirma (quase) nada. A porta-voz da Comissão Europeia para os assuntos económicos, Annika Breidthardt, assegura que existiu realmente a troca de “muitos documentos” entre ambas as partes e que isso é “um bom sinal”.

Fontes não oficiais da Comissão dizem, citadas pelo jornal grego “Kathemerini”, que o documento chegou, tem 46 páginas e é “vago e precisa de ser aperfeiçoado”. Alexis Tsipras, primeiro-ministro helénico, diz que as decisões estão todas nas mãos dos credores e que lhes resta aceitar ou rejeitar. 

Caso o plano seja aceite, pode finalmente chegar-se ao tão esperado acordo. “Submetemos um plano realístico, cuja aceitação das instituições, líderes e parceiros europeus marca o fim do cenário da divisão da Europa. Não estamos à espera que sejam eles a submeter uma proposta, a Grécia apresentou um plano – agora tudo depende dos líderes políticos da Europa”, disse Tsipras, citado pelo jornal grego "Kathemerini".

Para o primeiro-ministro grego, neste momento existe um dilema “entre uma opção realística ou a divisão da Europa”. “A decisão sobre o desejo de se adaptarem ao realismo [das propostas gregas] e à saída da crise, sem a divisão da Europa, pertence aos líderes europeus. Este não é apenas um problema grego, é um assunto europeu e global. O governo está a planear agir com determinação e com base na opinião da maioria da população grega, que deseja uma solução e não quer ver o país regressar às memórias de ontem”, disse Alexis Tsipras esta terça-feira.

As notícias de que os gregos submeteram uma proposta surgem na sequência de um encontro em Berlim, Alemanha, na segunda-feira à noite. A reunião juntou à mesma mesa a chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente francês, François Hollande, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, e a diretora do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde.

Depois do encontro, o detentor da pasta dos assuntos económicos europeus, Pierre Moscovici, confirmou que houve “significativos progressos” nas negociações, mas “ainda há muito por fazer”.

Junho é decisivo. A Grécia tem de pagar ao FMI, ao longo de todo o mês, 1,2 mil milhões de euros. O primeiro pagamento, de 300 milhões de euros, tem prazo limite esta sexta-feira, dia 5.