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Naufrágio no rio Yangtze: buscas em contrarrelógio, familiares desesperados

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CHINA DAILY

Cinco mortes confirmadas e 15 resgatados das águas do Yangtze naquela que poderá ficar para a história como a maior tragédia do género registada nos últimos anos na China

As equipas de busca e salvamento envolvidas na operação de socorro aos passageiros do navio que naufragou esta segunda-feira no rio Yangtze, com 458 pessoas a bordo, trabalham numa corrida contra o tempo para retirar do interior do navio os sobreviventes. Os seus familiares desesperam por notícias daquela que poderá ficar para a história como a maior tragédia do género registada nos últimos anos na China.

O "Dongfangzhixing" (Estrela do Oriente) de 76,5 metros de comprimento por 11 de largura e quatro pisos (decks) e uma lotação de 534 pessoas, foi atingido esta segunda-feira por um ciclone e naufragou repentinamente pelas 21h28 (14h28 em Lisboa), depois de ter sido fustigado por rajadas de 130 quilómteros por hora. Não terá sido lançado qualquer pedido de ajuda, informa a rádio estatal chinesa.


Até ao momento, segundo a agência estatal de notícias chinesa Xinhua, apenas 15 pessoas sobreviveram, sete das quais terão nadado até às margens e dado o alerta. Esta manhã, uma equipa de mergulhadores conseguiu retirar das águas do maior rio da Ásia uma mulher de 65 anos. O comandante e o engenheiro-chefe  também estão a salvo mas foram detidos pelas autoridades e interrogados. Até o momento, ainda de acordo com a agência chinesa, foram confirmadas apenas cinco mortes. 

Nas imagens divulgadas pelo canal público chinês CCTV pode ver-se membros das equipas de salvamento, de colete salva-vidas, deitados sobre o casco do navio. Terão sido escutados pedidos desesperados de socorro e procuram desta forma determinar a sua localização no interior do “Estrela do Oriente”.

A maior parte dos 406 passageiros terá embarcado a 28 de maio em Nanjing rumo a Chongqing (província de Jiangsu) para um cruzeiro de pelo menos dez dias. Eram sobretudo pessoas entre 60 e 70 anos de idade que à hora do acidente estariam recolhidas nos seus aposentos. Mas haverá crianças. A bordo estavam ainda cinco guias turísticos e os 47 membros da tripulação.

Os familiares, assim que souberam da trágica notícia, dirigiram-se para a agência de viagens Xiehe, em Shanghai, onde muitos passageiros terão feito as suas reservas, mas deram com o nariz na porta e foram reencaminhados pela polícia local para instalações nas proximidades.

Huang Yan, de 49 anos, uma contabilista em Shanghai, disse aos jornalistas que se encontravam à porta da agência de viagens que o seu marido, também de 49 anos, e o seu pai, de 70, estavam a bordo do “Estrela do Oriente”. Mas que não tinha a certeza porque continuava por divulgar uma lista oficial de passageiros. “Porque razão é que o comandante deixou o navio com tantos passageiros ainda no interior?”, questionou Huang Yan. “O Governo tem de publicar a lista dos passageiros”, exigiu.

A tragédia não deixou indiferentes os principais responsáveis políticos chineses. O Presidente Xi Jinping já pediu para que tudo fosse feito para salvar os náufragos enquanto o primeiro-ministro Li Keqiang já está no local do acidente para acompanhar in loco as operações e busca.

Ao ministro dos Transportes e Turismo foi ordenado que mobilizasse todos os recursos disponíveis com a maio brevidade possível. Mais de mil polícias e 40 botes insufláveis já terão sido enviados para o local, informou a agência Xinhua.

“O facto navio ter adornado e virado por completo mantendo-se à superfície é um sinal evidente de que existem grandes bolsas de ar no seu interior. Estas bolsas terão impedido o afundamento e permitido aos sobreviventes respirar enquanto aguardam pelo resgate”, explicou ao Expresso o porta-voz da Marinha Portuguesa, comandante Rodrigues Vicente.