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Aplicar acordo de paz é mais difícil do que parecia

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Um soldado ucraniano lê um tablet na base militar perto de Artemivsk, na região de Donetsk

IVAN BOBERSKYY / EPA

A ONU lança um relatório onde conta os mortos e feridos resultantes do conflito na Ucrânia, longe de estar sanado 

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

Mais de 64 mil pessoas morreram no conflito na Ucrânia entre meados de abril de 2014 e 30 de maio último, atingindo o número de feridos quase 16 mil. Apesar do considerável abrandamento nos confrontos, há perto de cinco milhões de cidadãos vulneráveis a abusos, entre os quais 1.200 deslocados, na sua maioria a viver em más condições. Estes são os principais alertas feitos esta terça-feira pela agência das Nações Unidas de defesa dos direitos humanos.  

No relatório que acaba de lançar, a ONU refere o registo de tiroteios indiscriminados que ameaçam as tréguas frágeis acordadas em fevereiro em Minsk, capital da Bielorrússia. “”Temos documentado relatos alarmanetes de execuções sumárias por grupos armados e estamos a observar alegações semelhantes contra forças armadas ucranianas", declarou Zeid Ra'ad Al Hussein, o Comissário da ONU para os direitos humanos, citado pela Yahoo.  

Enviados da Ucrânia e da Rússia encontram-se esta terça-feira em Minsk para discutir a aplicação do plano de paz acordado na cimeira que decorreu em fevereiro naquela cidade. Ao mesmo tempo que as visões relativamente ao futuro da Ucrânia divergem consideravelmente, é reconhecido por todas as partes que a intensidade dos combates diminuiu substancialmente, ainda que os termos do acordo de cessar-fogo continuem a sofrer quebras episódicas.  

Há uma série de focos de tensão sobre os quais paira a ameaça de ver reacender o conflito a qualquer momento. O principal deles é a luta pelo controlo da fronteira da Ucrânia com a Rússia. Kiev quer fechar a fronteira e exige a retirada de todas as tropas como pré condição para o pontos económicos e políticos do acordo de paz - o qual prevê a reintegração da região oriental de Donbas na Ucrânia, lembra o "Espresso", o diário digital da revista britânica "The Economist". O Governo russo vê a cedência a esta exigência como a perda de controlo sobre os enclaves separatistas, o que significaria perder o seu principal meio de influência sobre a Ucrânia. 

Entretanto, a aproximação do voto em Bruxelas do prolongamento das sanções da União Europeia à Rússia parece contribuir para manter o Presidente Vladimir Putin expectante.