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Internacional

O pedido de desculpas do primeiro-ministro japonês

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O chefe do Governo japonês, Shinzo Abe

TORU HANAI/REUTERS

Se os gestos deseducados são frequentes em política, mais raro é um governante pedir desculpa por ter sido pouco cortês. Mas foi o que fez Shinzo Abe.

Se são tristemente frequentes os atos deseducados em política, ou os momentos em que vemos deputados e governantes a terem palavras menos corretas, mais raros são gestos de humildade e reconhecimento de tais falhas. Ora, foi o que aconteceu esta segunda-feira de manhã, em Tóquio.

O primeiro-ministro Shinzo Abe abriu a sessão parlamentar penitenciando-se por ter gritado com uma deputada da oposição na semana passada, durante um debate sobre Defesa. “Peço desculpa, uma vez mais, pelo meu comentário, e doravante lidarei com a situação humildemente”, disse Abe na comissão parlamentar de Paz e Segurança.

Na semana passada, a deputada Kiyomi Tsujimoto, do Partido Democrático do Japão (na oposição) demorou vários minutos a fazer uma pergunta sobre o risco de a legislação que se debatia aumentar o risco de baixas nas tropas de autodefesa japonesas (o país não tem Forças Armadas propriamente ditas). O primeiro-ministro impacientou-se e gritou: “Vá, faça lá a pergunta!”. Seguiu-se um silêncio desconfortável, após o que Tsujimoto protestou pelo tom de Abe.

A deputada escreveu no seu blogue que o primeiro-ministro não só a desrespeitara como mostrara não entender os princípios básicos da democracia. De início Abe queixou-se que a deputada estava a consumir demasiado tempo, encurtando forçosamente a resposta. O mais curioso é que, dias antes, o próprio Abe reclamara contra comentários dos deputados da oposição que tinham considerado o seu discurso redundante. “Parem de obstruir a discussão. Não vos ensinaram isso na escola?”, disse então.

Yasukazu Hamada, presidente da comissão parlamentar, aconselhou hoje os políticos a “absterem-se de comentários desnecessários” e recordou que a opinião pública presta atenção aos debates parlamentares.