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Fumam tudo e parece que demais. E agora querem mudar-lhes os hábitos

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O sinal lá atrás e os dançarinos à frente partilham a mesma mensagem: stop, pare, stop smoking, pare de fumar

ROLEX DELA PENA / EPA

A China é o país onde se fuma mais no mundo. Fuma-se nos restaurantes, nos táxis, nas escolas, nos empregos.... e até nos elevadores. Mas o tabaco está a matar uma pessoa a cada 30 segundos. Agora, Pequim proibiu o fumo em todos os recintos fechados e nalguns espaços abertos, como é o caso dos monumentos nacionais

Os chineses gostam de fumar. Fumam mais de um terço dos cigarros fabricados no mundo. O tabaco é barato na China, o país mais populoso do planeta. Os chineses fumam tudo: cachimbo, tabaco enrolado, cigarros de boas marcas. A Organização Mundial de Saúde (OMS) calcula que existam 300 milhões de fumadores na terra dos velhos mandarins; o que significa 23% da população, num país em que a poluição e o fumo são um grave problema de saúde pública. 

Pequim, a capital, é uma das cidades mais poluídas do mundo. Nas ruas, o ar é pesado, irrespirável. No interior dos locais públicos e de grande parte dos lares chineses, a situação não é melhor. Uma densa nuvem de fumo que está colada ao imaginário dos ambientes chineses. A situação tornou-se tão grave que a OMS lançou um sério aviso às autoridades governamentais de Pequim. É preciso tomar medidas para combater a exposição ao fumo passivo de 740 milhões de pessoas e a morte de 1,3 milhões por ano. Um terço dos óbitos mundiais por tabaco acontece na China.

Fumar é uma atividade social. Sobretudo na China, onde se valorizam presentes de tabaco. Os jovens começam a fumar cada vez mais cedo. Um estudo da Universidade de Pequim, citado pelo jornal espanhol "El País", revela que a "idade média em que uma criança chinesa começa a fumar é 10,7 anos - em Pequim oscila entre os 12 e 13".

Reuters

A lei vai ser cumprida? 

A partir desta segunda-feira, Dia Mundial da Criança, é "proibido fumar nos locais públicos fechados de Pequim", lê-se no jornal "Tribuna de Macau": "Muitos duvidam do sucesso efectivo da medida no 'reino' do tabaco". Esta publicação de língua portuguesa em território sob administração chinesa explica que "os estabelecimentos comerciais que infrinjam as novas normas arriscam multas que podem atingir 10.000 yuans (cerca de 12.900 patacas) e os fumantes que violem a lei terão que pagar o equivalente a cerca de 250 patacas". O que em moeda europeia significa multas de 1500 euros para os espaços comerciais e 30 euros para os cidadãos.

O jornal de Macau diz que desta vez "as autoridades parecem mais empenhadas nesta iniciativa sanitária, cuja campanha promocional mobilizou celebridades e artistas. O objectivo é avançar num domínio em que a China, primeiro produtor e consumidor do mundo", está "desfasada da luta antitabaco mundial".

A par da entrada em vigor da lei que restringe o consumo de tabaco em Pequim, o Governo subiu os impostos sobre o tabaco. Em média, o aumento oscila entre os 5% e os 11% Em paralelo, eles também têm levantado impostos sobre rapé, de 5% a 11%. Apesar disso, os pacotes de cigarros mais baratos ficam a custar menos de um euro. 

REUTERS

A vergonha de ser apanhado é mais eficaz que a multa?

Uma sondagem realizada este fim de semana pela agência Xinhua, via Internet, e citada pelo "El País", não aponta resultados promissores. "Só 17% do público acredita que a lei é eficaz, enquanto 49% duvida de que venha a ser implementada." Já 34% acha que seria mais eficaz para reduzir a produção de tabaco de forma significativa. Só "23% [dos chineses] estão dispostos a pedir diretamente ao prevaricador que deixe de fumar, ou solicitar ao pessoal do local onde estiverem que o ponha fora".

A esperança pode estar no pudor dos chineses, na compostura que gostam de manter em público. A versão inglesa do jornal "China Daily" conta o que disse Wang Huanyu, um estudante de 22 anos, depois de ler uns cartazes sobre a nova proibição de fumar perto de seu dormitório.  Wang comentou que iria ficar "muito preocupado se alguém o visse a fumar num local público". Ou seja, o problema não é ele fumar, mas ser visto a fazer uma coisa que foi proibida por lei. Wang também disse que duvida "que seja aplicada uma punição de cada vez que alguém quebrar a regra". Só o tempo dirá se a lei anti-tabágica que esta segunda-feira entrou em vigor surtiu ou não efeito. As mulheres chinesas já fumavam quando as ocidentais ainda não tinham o hábito de pegar num cigarro.