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Cameron quer que Blatter saia quanto antes, Merkel diz que é tempo de rutura

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HANNIBAL HANSCHKE / Reuters

Primeiro-ministro britânico e a chanceler alemã Merkel encontraram-se para falar de política europeia. Mas na conferência de imprensa conjunto ambos abordaram o escândalo de corrupção que abala a FIFA.

O primeiro-ministro britânico David Cameron considera que Joseph Blatter deixou de ter condições para se manter na presidência da FIFA, na sequência do caso de corrupção que levou à detenção de dirigentes e ex-dirigentes do organismo que tutela o futebol mundial

"Na minha opinião, ele devia sair. Não pode haver acusações de corrupção a este nível e a esta escala na FIFA e fazer de conta que a pessoa que lidera é a pessoa certa para continuar à frente", disse Cameron, esta sexta-feira de manhã, citado pela AP, após um encontro mantido em Berlim com a Angela Merkel.

Questionado na conferência de imprensa conjunta com a chanceler alemã, depois de um encontro onde discutiram assuntos europeus, sobre o escândalo que abala a FIFA, o dirigente britânico disse ser “impensável” pensar que Blatter seja a pessoa correta para manter a presidência depois do que se sabe. Insistiu que o dirigente suíco devia resignar ao cargo e “quanto mais cedo isso acontecer melhor”. E finalizou: “Sinceramente, o que vimos agora foi o lado feio de um jogo bonito”.

Convidada a abordar o tema, a chanceler Merkel, sem nunca dizer se Blatter devia ou não renunciar ao cargo, limitou-se a apelar à FIFA para a necessidade de fazer uma rutura clara com a corrupção.

Esta quinta-feira, um porta-voz de Cameron já tinha dito que o primeiro-ministro britânico defende uma reforma da FIFA e "apoia totalmente" a Federação Inglesa de Futebol em estar ao lado do candidato Ali Bin Al-Hussein, príncipe Jordano e um dos vice-presidentes da FIFA, que vai a votos com Blatter pela liderança do organismo.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos indiciou esta quarta-feira nove dirigentes ou ex-dirigentes e cinco parceiros da FIFA, acusando-os de associação criminosa e corrupção nos últimos 24 anos, num caso em que estarão em causa subornos no valor de 151 milhões de dólares (quase 140 milhões de euros).

Entre os acusados estão dois vice-presidentes da FIFA, o uruguaio Eugenio Figueredo e Jeffrey Webb, das Ilhas Caimão e que é também presidente da CONCACAF (Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caraíbas), assim como o paraguaio Nicolás Leoz, ex-presidente da Confederação da América do Sul (Conmebol).

Dos restantes dirigentes indiciados fazem parte o brasileiro José María Marín, membro do comité da FIFA para os Jogos Olímpicos Rio2016, o costarriquenho Eduardo Li, Jack Warner, de Trindade e Tobago, o nicaraguense Júlio Rocha, o venezuelano Rafael Esquivel e Costas Takkas, das Ilhas Caimão.

A FIFA suspendeu provisoriamente 11 pessoas de toda a atividade ligada ao futebol: os nove dirigentes ou ex-dirigentes indiciados e ainda Daryll Warner, filho de Jack Warner, e Chuck Blazer, antigo homem forte do futebol dos Estados Unidos, ex-membro do Comité Executivo da FIFA e alegado informador da procuradoria norte-americana, que já esteve suspenso por fraude. 

A acusação surge depois de o Ministério da Justiça e a polícia da Suíça terem detido Webb, Li, Rocha, Takkas, Figueredo, Esquivel e Marin esta quarta-feira, num hotel de Zurique, a dois dias das eleições para a presidência da FIFA.

Simultaneamente, as autoridades suíças abriram uma investigação à atribuição dos Mundiais de 2018 e 2022 à Rússia e ao Qatar.