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Expresso

Internacional

Americano conhece irmã do jovem que lhe deu um rosto

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O encontro foi registado pelas câmaras do programa 60 Minutes Australia, que vai ser transmitido este domingo.

Richard Norris tinha 22 anos quando, acidentalmente, fez disparar uma arma junto ao seu rosto, que ficou completamente desfigurado. Uma cirurgia considerada complexa devolveu-lhe o rosto, não o dele, mas o de outro jovem, cuja irmã conheceu agora.

Helena Bento

Jornalista

"Importas-te que toque?", pergunta-lhe Rebekah Aversano, irmã de Joshua Aversano, que foi atropelado há três anos por uma carrinha e morreu na sequência dos ferimentos. 

Richard Norris, natural da Virgínia (onde ainda vive), tinha 22 anos quando, acidentalmente, fez disparar uma arma junto ao seu rosto, que ficou completamente desfigurado. Submeteu-se a uma série de cirurgias convencionais, mas nenhuma lhe garantiu resultados satisfatórios. Continuava a não parecer a pessoa que fora antes. Começou a evitar sair à rua durante o dia e a usar máscaras para encobrir as cicatrizes, ficou deprimido, tentou suicidar-se. 

Em março de 2012 chegou finalmente a boa notícia: uma família de Maryland, nos Estados Unidos, autorizou que parte do rosto do filho falecido - dentes, um dos maxilares, músculos e nervos - fosse transplantada para o rosto desfigurado de Norris. A cirurgia, levada a cabo por uma equipa do centro médico da Universidade de Maryland, teve a duração de 36 horas e foi considerada uma das mais complexas da história dos transplantes faciais

Três anos depois, Richard Norris, agora com 39 anos, conheceu a irmã do jovem que lhe permitiu voltar a ter um rosto. Recebeu-a em sua casa. As câmaras do programa 60 Minutos Australia registaram o encontro, que vai ser transmitido este domingo. 

Depois de lhe tocar, Rebekah Aversano dá um passo atrás e diz: "Este é o rosto com o qual eu cresci". Essa parece ser também a opinião de Gwen Aversano, mãe de Joshua. "Definitivamente, conseguimos ver nele o nosso filho", disse, citada pelo "The Guardian", acrescentando que tanto ela como os restantes membros da família se sentiam "muito contentes" por terem ajudado Richard Norris. "Apesar da nossa perda trágica, fomos capazes de ser úteis a alguém." 

Apesar de o transplante facial ter sido bem-sucedido (a probabilidade de sucesso tinha sido avaliada em 50% pela equipa de médicos), Richard Norris é agora obrigada a levar uma vida regrada - não pode beber, fumar ou estar muitas horas exposto ao sol - acompanhada de medicação.