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O sr. 10%. Garganta funda da FIFA

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ALI HAIDER/EPA

O antigo responsável da FIFA, Chuck Blazer, está a ser apontado como uma figura chave nas investigações que levaram à detenção de diversos destacados membros da organização. Era conhecido como o sr. 10%.

O norte-americano Chuck Blazer, antigo membro do comité executivo da FIFA que em 2013 se declarou culpado de dez crimes, entre os quais os de associação criminosa, participação em rede fraudulenta, lavagem de dinheiro e evasão fiscal no âmbito da investigação relativa aos negócios do futebol, deverá ter colaborado com as autoridades norte-americanas a fim de atenuar a sua pena, segundo referem diversos media anglo-saxónicos.

O “The New York Times” escreve que “aparentemente tornou-se numa testemunha cooperante”, o “Daily News” sugere que terá mesmo aceite levar um gravador oculto para reuniões com responsáveis da FIFA.

Blazer esteve na direção da FIFA entre 1996 e 2013, foi secretário geral da CONCACAF (Confederação das Associações de Futebol da América do Norte e Central e das Caraíbas) entre 1990 e 2011, e ainda comissário da Liga Americana de Futebol e vice-presidente da Federação de Futebol dos Estados Unidos.

Era conhecido pela sua vivência boémia e extravagantemente despesista. Tinha dois apartamentos na luxuosa Trump Tower de Manhattan, um para si e outro que era por vezes ocupado pelos seus gatos, segundo indicou um investigador ao “The New York Times”, que referiu ainda que ele era conhecido como o senhor 10%, devido às comissões que cobrava nos acordos de futebol.

Mas para além de Blazer, pelo menos outras duas pessoas terão aceite colaborar com os procuradores norte-americanos. Dois filhos adultos de Jack Warner, antigo presidente regional da FIFA e político e empresário de Trinidad e Tobago, foram apanhados em circunstâncias similares e também terão feito acordos, segundo o “The Guardian”. 

Daruan e Daryll Warner declararam-se culpados de fraude e lavagem de dinheiro e revelaram como introduziram cerca de 551 mil euros em dinheiro, proveniente de alegados subornos, no sistema bancário norte-americano.