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Lagarde admite saída da Grécia do euro. "Não seria um passeio, mas também não seria o fim"

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Epa

Depois de a Grécia ter anunciado precipitadamente que havia princípio de acordo entre Atenas e Bruxelas, a líder do FMI abranda os otimismos helénicos.

 A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, considera que a saída da Grécia da zona euro é "uma possibilidade", segundo extratos de uma entrevista a um jornal alemão divulgados esta quinta-feira.

"A saída da Grécia [da zona euro] é uma possibilidade", afirmou Lagarde, que se deslocou à Alemanha para uma reunião dos ministros das Finanças do G7, numa entrevista ao Frankfurter Allegemeine Zeitung que será publicada esta sexta-feira.

Para Lagarde, essa saída não seria "um passeio", mas "provavelmente também não significaria o fim do euro". "É muito improvável que encontremos uma solução global nos próximos dias", disse também a responsável do FMI, um dia depois de Atenas ter sugerido que estaria iminente um acordo com os credores.

A Grécia, que tem problemas de liquidez, está há meses a negociar com os credores (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e FMI) um acordo para que seja desbloqueada uma tranche de 7,2 mil milhões de euros do empréstimo concedido em 2012.

As negociações avançaram no início de maio, mas "nas últimas semanas tivemos novos fracassos", disse Lagarde.

Entretanto, o Banco Central Europeu (BCE) alertou esta manhã para o risco de contágio caso a Grécia não chege rapidamente a acordo com os credores. "Na inexistência de um acordo rápido sobre as reformas estruturais necessárias, o risco de ajustamento em alta do prémio de risco exigido à dívida soberana dos países da zona euro vulneráveis pode materializar-se", pode ler-se num relatório de Estabilidade Financeira divulgado esta quinta-feira. 

EUA apelam a compromisso urgente
Dos EUA também chegam alertas: o secretário do Tesouro norte-americano, Jack Lew, afirmou esta quinta que embora considere que tanto a Grécia como os credores querem encontrar uma solução para o país, o atraso quanto a um acordo pode sair caro.

"A minha preocupação não é relativa à boa vontade das partes, mas um erro de cálculo pode levar a uma crise que poderia causar muitos danos", disse Jack Lew durante uma conferência na Escola de Economia de Londres.

Esta quinta-feira, as negociações gregas retomaram por volta das 12h (11h em Lisboa) em Bruxelas, devendo prosseguir pelo menos até sábado. Do lado grego surgem, entretanto, novos avisos: Euclid Tsakalotos, ministro adjunto dos Negócios estrangeiros, que está na linha da frente das negociações com os credores, disse que é preciso que os mais altos responsáveis políticos se reúnam para um compromisso final. 

"Os dois lados nunca vão convergir completamente, mas a impressão geral é que eles estão a convergir. Qualquer que seja a convergência, tem de continuar. Depois do chamado Grupo de Bruxelas, é preciso que os representantes políticos ao mais alto nível alcancem um acordo final, de forma a eliminarem as diferenças", disse Euclid Tsakalotos ao "The Guardian."

Durante a reunião dos ministros das Finanças do G7, que começa esta quinta-feira em Dresden, - embora a Grécia não conste dos temas que estão sobre a mesa -, os EUA, o Japão, a Alemanha, França, Itália, Grã-Bretanha e Canadá deverão apelar à necessidade de um acordo urgente em Atenas.