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Empresa proprietária do Estoril-Praia está no centro do escândalo FIFA

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O Estoril-Praia foi adquirido pela Traffic Sports Europe em 2010 quando estava na II Liga

MÁRIO CRUZ / LUSA

O Estoril-Praia foi adquirido pela Traffic Sports Europe em 2010 quando estava na II Liga e, de lá para cá, tendo como administrador o brasileiro Tiago Ribeiro, subiu à I Liga, na qual permanece há três épocas.

A empresa brasileira de marketing desportivo Traffic, proprietária do Estoril-Praia, organizadora da Copa América e detentora de direitos televisivos em muitos campeonatos, está no centro do escândalo de corrupção da FIFA.

O dono do grupo Traffic, o brasileiro José Hawilla, é um dos envolvidos que aceitou colaborar com a justiça norte-americana na investigação sobre fraude, lavagem de dinheiro e corrupção nos últimos 24 anos, durante os quais, segundo as autoridades, foram pagos pelo menos 151 milhões de dólares em subornos (cerca de 140 milhões de euros).

Hawilla admitiu as acusações de fraude eletrónica, lavagem de dinheiro e obstrução à justiça pela sua implicação no caso e aceitou devolver 151 milhões de dólares através da Tusa, braço da Traffic nos Estados Unidos, onde foi desencadeada a investigação que levou à detenção de sete dirigentes ou ex-dirigentes da FIFA na Suíça.

O Estoril-Praia foi adquirido pela Traffic Sports Europe em 2010 quando estava na II Liga e, de lá para cá, tendo como administrador o brasileiro Tiago Ribeiro, subiu à I Liga, na qual permanece há três épocas, apurou-se pela primeira vez as competições europeias, ao terminar o campeonato de 2012/13 em 5.º lugar, e repetiu a proeza na época seguinte, alcançando o 4.º lugar.

Durante a gestão de Tiago Ribeiro, passaram pelo Estoril alguns jogadores que depois saltaram para os três 'grandes' do futebol português, como Carlos Eduardo e Licá (FC Porto), Jardel (Benfica) ou Jefferson (Sporting).

Recentemente, foi noticiado que a Traffic estava a estudar a hipótese de ceder os 74% do capital da SAD do Estoril-Praia a uma empresa inglesa.

Fundada em 1980 em São Paulo, a Traffic explora os direitos comerciais dos principais torneios do continente americano, nomeadamente a Copa América, a Gold Cup, a Taça Libertadores, a Taça do Brasil e uma das ligas dos Estados Unidos, a NASL.

A Copa América, cujos direitos estão nas mãos da Traffic desde 1987, realiza-se este ano no Chile, entre 11 de junho e 4 de julho, e nos Estados Unidos em 2016, na edição do centenário.

A Traffic foi também a mediadora do acordo entre a marca norte-americana Nike e a seleção brasileira, que se mantém desde 1996 e que foi alvo de um inquérito de que não resultou qualquer acusação.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos indiciou nove dirigentes ou ex-dirigentes e cinco parceiros da FIFA, acusando-os de conspiração e corrupção nos últimos 24 anos.

Entre os acusados estão dois vice-presidentes da FIFA, o uruguaio Eugenio Figueredo e Jeffrey Webb, das Ilhas Caimão e que é também presidente da CONCACAF (Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caraíbas), assim como o paraguaio Nicolás Leoz, ex-presidente da Confederação da América do Sul (Conmebol).

Dos restantes dirigentes indiciados fazem parte o brasileiro José María Marín, membro do comité da FIFA para os Jogos Olímpicos Rio2016, o costarriquenho Eduardo Li, Jack Warner, de Trinidad e Tobago, o nicaraguense Júlio Rocha, o venezuelano Rafael Esquivel e Costas Takkas, das Ilhas Caimão.

A FIFA suspendeu provisoriamente 11 pessoas de toda a atividade ligada ao futebol: os nove dirigentes ou ex-dirigentes indiciados e ainda Daryll Warner, filho de Jack Warner, e Chuck Blazer, antigo homem forte do futebol dos Estados Unidos, ex-membro do Comité Executivo da FIFA e alegado informador da procuradoria norte-americana, que já esteve suspenso por fraude. 

A acusação surge depois de o Ministério da Justiça e a polícia da Suíça terem detido Webb, Li, Rocha, Takkas, Figueredo, Esquivel e Marin na quarta-feira, num hotel de Zurique, a dois dias das eleições para a presidência da FIFA, à qual concorrem o atual presidente, o suíço Joseph Blatter, e Ali bin Al-Hussein, da Jordânia.

Simultaneamente, as autoridades suíças abriram uma investigação à atribuição dos Mundiais de 2018 e 2022 à Rússia e ao Qatar.