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Construções chinesas nas Ilhas Spratly criam tensão com os EUA

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Embarcações chinesas alegadamente em torno do Recife Mischief, nas disputadas Ilhas Spartly, no Mar do Sul da China

REUTERS

Estados Unidos querem garantir que as construções chinesas nas disputadas Ilhas Spratly serão o principal tema no fórum asiático de segurança, esta sexta-feira. Acredita-se que as ilhas sejam ricas em petróleo e gás natural.

Os Estados Unidos divulgaram um vídeo onde se veem construções chinesas nas disputadas Ilhas Spratly para que, na reunião dos países asiáticos desta sexta-feira, os seus parceiros apostem numa postura mais firme contra o país ditatorial. 

As filmagens - captadas na semana anterior a partir de um avião, mostram navios chineses a transformar os afloramentos, recifes e ilhéus em ilhas com pistas de aterragem e portos marítimos. Pequim reclama 90% sobre o território que na realidade ainda não é seu e que está há vários anos a ser disputado pelo Brunei, Malásia, Filipinas, Vietname e Formosa. 

Os Estados Unidos pretendem assim garantir o domínio do tema no fórum asiático de segurança, onde a par dos membros da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), estará o secretário de Defesa norte-americano, Ash Carter, e altos funcionários militares chineses. 

Washington quer pressionar as nações do sudeste asiático a assumir uma posição unida e mais rígida contra as ações da China que, desde o início do ano, adicionou 1.500 hectares, com assoreamento e construções artificiais nas ilhas. 

"Ninguém quer acordar um dia e descobrir que a China construiu numerosas construções artificiais e, pior ainda, equipados com sistemas militares", disse secretário de Estado adjunto dos EUA Daniel Russel. 

ASEAN tem estado relutante em intervir, tendo havido críticas isoladas de alguns membros, nomeadamente por parte das Filipinas, o aliado norte-americano, e do Vietname, um companheiro requerente.

Segredo das ilhas: petróleo e gás natural 
Em tom de alarme, o líder do grupo, o vietnamita Lê Lương Minh, expressou uma preocupação conjunta e alertou para o facto das ações da Pequim estarem a comprometer a paz na região.  

Uma reação conjunta do grupo asiático é pouco provável, mas a coordenação entre alguns estados é garantida - o exército japonês está a considerar juntar-se aos Estados Unidos em patrulhas aéreas na zona. 

As autoridades norte-americanas já prometeram enviar navios da marinha para um raio de 19km em torno das ilhas, para mostrar que Washington não reconhece os direitos territoriais da zona à China. 

Há quatro anos Barack Obama mudou a estratégia para com a Ásia e desde então os EUA renovaram os acordos de segurança com as Filipinas e o Japão. Uma decisão que permite ainda que Washington esteja "de olho" na Coreia do Norte. 

As disputadas Ilhas Spratly são constituídas por mais de 750 recifes, ilhéus e ilhas que, juntos não chegam a somar  quatro km2. Mas, apesar do seu tamanho pouco significativo, são disputadas por outras razões: geograficamente situam-se nas principais rotas marítimas mercantes e, de acordo com as pesquisas, encontram-se sobre uma das maiores reservas de petróleo e gás natural conhecidas atualmente.