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"Don Blatterone", o "príncipe negro do futebol" que quer morrer na FIFA

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ENNIO LEANZA / EPA

Aos 79 anos, Joseph Blatter é candidato pela quinta vez à liderança do órgão máximo do futebol mundial. O que leva este suíço a querer permanecer na FIFA, ele que é alvo de observações sarcásticas um pouco por todo o globo mas que se mantém inabalável no poder?

Há 17 anos no comando da Federação Internacional de Futebol (FIFA), Joseph Sepp Blatter não faz tenções de se retirar, antes pelo contrário. Prova disso é a candidatura a uma quinta liderança no organismo que rege o futebol mundial. O próprio admite - ironicamente ou não - que gostava de morrer nos escritórios da FIFA. Mas quem é Blatter? E o que o leva a querer manter-se ao leme da organização desportiva, com um património avaliado em mais de 1,5 mil milhões de dólares? 

Nascido a 10 de março de 1936, Joseph Blatter é filho de uma família de classe média baixa da cidade de Vins, nos Alpes suíços, tendo feito toda a sua formação no país. Aos 18 anos, cumpriu o serviço militar obrigatório acabando por ingressar mais tarde no Exército, onde chegou a coronel.  

Entretanto, licenciou-se em Economia e Gestão pela Universidade de Lausanne, começando a carreira na indústria relojoeira. Depois de uma passagem pela Federação Internacional de Hóquei no Gelo ingressou na FIFA em 1975 como diretor técnico.

Vinte e três anos depois, Blatter foi eleito presidente do organismo, sucedendo ao brasileiro João Havelange.  

Definido por quem lhe é próximo como um homem "muito terra-a-terra" e com uma "visão aberta", o presidente da FIFA tem-se mantido imune aos escândalos que envolvem a organização, apesar de muitas vozes críticas à sua liderança. 

"O Deus, Don Blatterone" 
"É o príncipe negro do futebol, o Deus, Don Blatterone", "o mais bem-sucedido ditador não homicida no último século", escreve um jornal suíço, citado pela BBC e "Guardian", respetivamente.  

Até o presidente da UEFA, Michel Platini, tem sido ultimamente muito crítico quanto a Blatter, acusando-o de insistir num quinto mandato baseado na mentira. "Ele simplesmente está assustado com o futuro, porque tem dado a sua vida à instituição ao ponto de se identificar em completo com a FIFA", disse Platini, após o anúncio da recandidatura de Blatter a líder da FIFA.  

Há também quem o acuse de ser "cego" e de arranjar sempre "algum intermediário que o salve" em casos de suborno.

Sem medo da concorrência, Blatter preferiu enviar uma carta às 209 federações que integram a FIFA com as suas promessas para mais um mandato. Figo - que recusou compactuar com "episódios que envergonham o futebol livre" - e Michael Van Praag acabaram por desistir da corrida eleitoral, sobrando apenas como opositor o príncipe da Jordânia, Ali Bin-Hussein. Num terreno bem conhecido e com apoios fortes, a vitória do velho presidente avizinha-se assim cada vez mais fácil.