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Depois das hesitações - paga, não paga - é tempo "de acelerar o progresso"

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ANGELO CARCONI / EPA

O ponto da situação das negociações entre Atenas e Bruxelas. Varoufakis falou novamente, a Europa também.

No dia em que a delegação de Atenas reuniu com o chamado Grupo de Bruxelas - formado pela Comissão Europeia (CE), Banco Central Europeu (BCE), Fundo Monetário Internacional (FMI) e Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) -, o Governo helénico afasta qualquer dúvida sobre o cumprimento das suas obrigações: a Grécia vai mesmo pagar ao FMI em junho.

O ministro grego das Finanças garantiu esta terça-feira que o país irá efetuar no próximo mês o pagamento de cerca 300 milhões de euros à instituição liderada por Christine Lagarde. "Iremos pagar ao FMI no dia 5 de junho, porque haverá acordo até lá", disse Yanis Varoufakis, citado pelo jornal "Kathimerini".

A garantia do Executivo helénico surge um dia depois de o seu porta-voz Gabriel Sakellaridis ter afirmado que é responsabilidade do Executivo grego cumprir com as suas obrigações, desvalorizando as declarações do ministro do Interior. No domingo, Nikos Voutsis afirmou que o país não iria pagar em junho a prestação do empréstimo ao FMI, optando por pagar os salários e pensões.

Entretanto são relatados progressos nas negociações. O comissário europeu para os Assuntos Económicos e Monetários, Pierre Moscovici, afirmou esta terça-feira de manhã que foram registados mais progressos nas últimas semanas do que desde fevereiro.

"Nós queremos um acordo e rápido e estamos a trabalhar dia e noite para isso. Há mais progressos nas últimas semanas do que desde o início das discussões. Temos algumas propostas de reformas", disse Pierre Moscovici, numa conferência de imprensa em Dublin.

Alternativa é ficar no euro
O comissário europeu para os Assuntos Económicos e Monetários repetiu ainda que não há alternativa para a Grécia sem ser permanecer na zona da moeda única. 

Até do lado alemão surge agora uma avaliação mais otimista. "É verdade que há uma mensagem helénica encorajadora. Os gregos assinalaram o desejo de pagar os 300 milhões ao FMI: penso que não há razão para se acreditar num cenário de bancarrota até 5 de junho", disse à Reuters um responsável germânico envolvido nas negociações.

Apesar das notas positivas mantêm-se divergências entre Atenas e os credores, nomeadamente no que diz respeito às "linhas vermelhas" do Governo de Alexis Tsipras, como os cortes nos salários e nas pensões e as reformas do IVA e do mercado laboral.

Bruxelas avançou que o delegação helénica e os credores internacionais deverão prosseguir as negociações na próxima quinta-feira. "O Grupo de Bruxelas continua a trabalhar esta terça de forma árdua e deverá continuar nos próximos dias para acelerar o progresso", declarou a porta-voz da Comissão Europeia, Margaritis Schinas, citada pela Reuters. 

Sobre a mesa mantêm-se os pontos de discussão da reunião do Eurogrupo de 20 de fevereiro. A Grécia enfrenta problemas de liquidez, estando dependente da última fatia do resgate de 7200 milhões de euros para cumprir os seus compromissos financeiros.