Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Surpresa nas eleições polacas: Presidente derrotado à segunda volta

  • 333

Presidente polaco Bronislaw Komorowski, segura um panfleto da sua campanha de reeleição

KACPER PEMPEL / REUTERS

Bronislaw Komorowski assume derrota nas presidenciais ainda antes dos resultados oficiais. A vitória do direitista Andrzej Duda, pouco conhecido, surpreende os especialistas, que preveem alterações na política externa. 

O Presidente polaco, Bronislaw Komorowski, assumiu derrota na corrida ao segundo mandato, depois de os resultados da sondagem à boca das urnas terem dado vantagem de 6% ao seu rival, Andrzej Duda, na segunda volta das eleições. Duda já vencera o primeiro turno, a 10 de maio

"Democracia é respeito pelos resultados eleitorais. Congratulo Andrzej Duda e desejo-lhe uma presidência bem-sucedida. Desejo-o, pois quero o melhor para a Polónia", disse Komorowski, pouco depois do encerramento das urnas, domingo à noite. A vitória de Duda traduz o início de uma profunda transformação política na principal potência de leste da União Europeia. 

Os resultados da sondagem, encomendada por três cadeias televisivas polacas (TVP, TVN24 e Polsat News), deram a vitória a Duda com 53%, deixando para trás o atual Presidente, com 47%. Se os resultados oficiais, apresentados mais tarde esta segunda-feira, confirmarem estes dados, a Polónia substituirá o seu líder popular pelo candidato do partido Lei e Justiça (PiS, direita). Duda era um desconhecido ainda há poucos meses. 

Vontade popular pela mudança
Nos seus cinco anos de mandato, Koromowski, de 62 anos, foi muito estimado pelo povo. A sua reeleição chegou a ser tomada por garantida, inclusive pelo próprio. O seu partido, Plataforma Cívica (centro-direita), no poder há oito anos, desenvolveu a economia polaca, tendo obtido êxitos sem precedentes. 

"Aqueles que votaram em mim querem mudança e eu agradeço-vos por isso", disse Andrzej Duda, dirigindo-se aos seus apoiantes na noite das eleições. É do partido do ex-presidente Lech Kaczynski, morto num acidente aéreo em 2010, que foi chefe de Estado enquanto o seu gémeo Jaroslaw era primeiro-ministro.

Apesar de uma economia estável, muitos polacos sentem que os benefícios do crescimento económico têm sido aproveitados por uma pequena parte da população. A maioria dos cidadãos do interior não tem empregos estáveis. Os que os têm queixam-se de baixos salários, o que leva muitos a procurar melhores condições de vida no estrangeiro. 

A inesperada vitória de Duda pode ser explicada pela sua campanha eleitoral muito dinâmica, durante a qual o candidato de direita prometeu aumentar impostos aos bancos e cadeias de supermercados, maioritariamente estrangeiros. Um importante veículo de conquista de votos, que Komorowski ignorou até ter ficado em segundo na primeira volta. 

Polónia em transformação
Os resultados de domingo enviam uma forte mensagem ao Governo da primeira-ministra Ewa Kopacz, aliada de Komorowski, que enfrentará uma difícil reeleição ainda esta ano, além de se ver obrigada a coabitar com um chefe de Estado de outra cor política. 

Quanto a Duda, é provável que se revele mais pró-americano e eurocético, tendo pouco interesse em manter relações próximas com a Alemanha. A política externa polaca vai mudar e isto terá efeitos sobre a União Europeia. 

A vitória do advogado de 43 anos é uma surpresa para os especialistas e investigadores. Ainda a poucas semanas antes da primeira volta das eleições, no último dia 10 de maio, as sondagens de opinião colocavam Komorowski a liderar com uma grande vantagem.