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Exércitos da Síria e do Iraque tentam retomar terreno ao Daesh

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FOTO REUTERS

Com o apoio da coligação internacional, o Exército iraquiano conseguiu recuperar a cidade de Husaiba al-Sharqiya, situada a cerca de 10km de Ramadi. Na Síria, as forças governamentais estão a realizar ataques aéreos em Palmira para fazer recuar os jiadistas

Depois dos últimos avanços do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh), que assumiu o controlo das cidades de Ramadi e Palmira, os exércitos do Iraque e da Síria tentam recuperar terreno aos jiadistas em ambos os países. Têm o apoio da coligação internacional liderada pelos EUA, que foi obrigada a repensar a sua estratégia contra o Daesh, intensificando os bombardeamentos aéreos nas duas regiões. 

No domingo, os aliados conseguiram fazer recuar os combatentes do grupo terrorista perto de Ramadi, recuperando uma cidade situada a cerca de 10 km. "Hoje, recuperámos o controlo de Husaiba al-Sharqiya e estamos a planear mais avanços para expulsar os jiadistas do Daesh para mais longe", disse Amir al-Fahdawi, líder de uma tribo local, à agência Reuters.

Segundo este responsável, o controlo da cidade de Husaiba al-Sharqiya constitui o primeiro passo estratégico para a recuperação de Ramadi. "A moral das forças do Governo foi elevada, após a chegada de reforços e munições", acrescentou Amir al-Fahdawi.

O secretário norte-americano da Defesa, Ashton Carter, acusou no domingo o exército iraquiano de ter abandonado Ramadi. "As forças do Iraque mostraram, simplesmente, nula vontade de lutar. O que aconteceu em Ramadi foi um fracasso das forças iraquianas", disse Carter à CNN. Washington receia também que o facto de militantes xiitas se juntarem aos combatentes contra o Daesh possa aumentar a violência sectária. 

No entanto, se os EUA apoiam o regime de Bagdade, o mesmo não acontece com Damasco. Washington está contra o Governo de Bashar al-Assad, o que dificulta a própria estratégia para combater o Daesh. Esta segunda-feira, as forças sírias realizaram pelo 15 ataques áreos na cidade e nos arredores de Palmira, tendo como alvo edifícios que foram controlados por combatentes do Daesh, avança a Reuters.

Massacre de mulheres e crianças em Palmira
A televisão estatal síria anunciou no domingo que os combatentes do Daesh mataram menos 400 pessoas, sobretudo mulheres e crianças, na cidade Palmira, desde quarta-feira. Entretanto, os jiadistas detiveram também na região cerca de 600 indivíduos - incluíndo soldados pró-governo e pessoas acusadas de serem leais ao regime sírio.

Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, os jiadistas executaram cerca de 300 soldados das forças do Governo, desde o dia 16 de maio. O chefe do Governo sírio, Wael al Halqi, condenou os massacres levados a cabo no país pelos jiadistas, apelando aos "países que apoiam o terrorismo para deixarem de contribuir para o banho de sangue." 

A cidade de Palmira tem ruínas que são consideradas Património Mundial pela UNESCO, sendo um ponto estratégico entre Homs e Damasco. Há quatro anos que a Síria vive num clima de instabilidade, devido a uma guerra civil que já causou cerca de 250 mil mortos e oito mil deslocados, agravado agora pela ofensiva do Daesh.