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Crónicas da viragem. "Ou te renovas ou te renovam"

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Uma daquelas imagens com leitura subliminar, disponibilizada pela EPA

JJ GUILLEN / EPA

Relato das eleições em Espanha pela pena dos jornais espanhóis, britânicos, franceses e portugueses. Para entender o que mudou e como a mudança é percecionada.

São mais ventos de mudança em Espanha, depois das europeias há um ano. A vitória por estreita margem dos conservadores e a subida da esquerda nas eleições municipais e autonómicas, no domingo, são destaque óbvio na imprensa espanhola, que fala numa "mudança histórica" e "radical", com os media mais associados à direita a realçarem o triunfo magro do PP e os meios da ala esquerda a sublinharem a ascensão dos partidos Cidadanos e Podemos.

"O resultado abre uma brecha geracional no PP de Rajoy", titula o "El País" num artigo que defende que o resultado eleitoral traz a debate a necessidade urgente de o partido avançar com uma renovação interna. "Ou te renovas ou te renovam. O PP, resistente à renovação, teve resultados nas eleições autonómicas e municipais que traíram o final de toda uma geração de políticos em Espanha, mostrando a necessidade de mudar em muitas comunidades e cidades os seus dirigentes", escreve o jornal.

O "El País" defende noutro artigo que a queda do partido conservador - que perdeu 500 maiorias absolutas em todo o país - provoca uma reviravolta a favor da esquerda, tendo levado a comissão política do partido popular a convocar esta segunda-feira de manhã uma reunião de emergência.  

Sobre a vitória de Ada Colau, a ativista que integrou a lista "Barcelona en Comú", apoiada pelo partido Podemos, o "El País" escreve que tem como planos taxar as elétricas e acabar com os carros oficiais.   

"Mudança política à custa do PP. Os barões do partido lamentam o efeito Rajoy", pode ler-se por sua vez no jornal "El Mundo", que realça ainda o facto de Barcelona e Madrid estarem nas "mãos da esquerda radical", referindo-se à vitória de Ada Colau e de Manuela Carmena, "favorita também a governar".

"A entrada de dirigentes do PP no comité executivo do PP transformou-se nesta tarde num enorme lamento, uma vez que as eleições tiveram resultados muito piores do que o esperado", escreve o jornal. 

Revolução cidadã

O "ABC" cita por sua vez o ministro da Indústria, Energia e Turismo, José Manuel Soria, que declarou esta segunda-feira de tarde que o "PP foi o partido mais votado, mas que essa é a única boa notícia", referindo-se aos piores resultados face a 2011.

"O PP perde peso e o Podemos avança" é o título de um artigo do jornal catalão "Vanguardia", que fala em resultados que agitaram Barcelona, Madrid e Valência, constituindo uma viragem do país à esquerda.  

Por cá, o "Público" escreve que o "PP perde a hegemonia e resiste por pouco como força mais votada", num artigo de Sofia Lorena que refere que a entrada de novos partidos na cena política confirma a tese de que o bipartidarismo já não é a única realidade em Espanha. O "Diário de Notícias" fala por sua vez numa "revolução cidadã" em Madrid e Barcelona. "O PP e PSOE perderam mais de três milhões de votos em relação a 2011 e nas duas maiores cidades espanholas os grandes vencedores são os movimentos apoiados pelo Podemos", escreve o "DN".

Condessa vs comunista

"Um terramoto político em Espanha", escreve o "Le Monde", dando destaque a Alda Colau em Barcelona, que está prestes a transformar-se na primeira autarca dos "indignados" em Espanha. "A lista desta ativista teve uma oposição forte contra os despejos de famílias afetadas pela crise", "estando disposta também a dar o exemplo e a baixar o seu salário", pode ler-se no diário francês.     

O site do jornal britânico "The Guardian" tem em destaque um artigo que traça o perfil das duas possíveis presidentes da Câmara de Madrid. "Condessa vs comunista na luta pela câmara de Madrid", escreve o "Guardian" em referência a um duelo de gigantes.  

"Ideologicamente opostas, Esperanza Aguirre e Manuela Carmena estão par a par para a corrida à autarquia de Madrid. Uma veterana política que é admiradora de Margaret Thatcher e outra é uma ex-militante comunista e juiz que se descreve como uma avó que adora abraçar", observa o diário britânico, que analisa a mudança política e social em Espanha. 

"Princípio do fim de Rajoy"

O Partido Popular espanhol (PP) obteve 27,3% dos votos, menos 700 mil do que em 2011, contra 25,4% do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE). O secretário-geral dos PSOE, Pedro Sánchez, defendeu que as eleições mostraram que começou o "princípio do fim de Mariano Rajoy" como líder do Governo espanhol.

Os resultados eleitorais deste domingo exigem assim que o PP estabeleça acordos pós-eleitorais de forma a conseguir soluções governativas nas suas autonomias.

  • Espanha. PP vence, mas sem maioria absoluta

    O Partido Popular de Mariano Rajoy foi o partido mais votado a nível nacional, mas com um resultado menos expressivo que em 2011. Novos partidos mostram a sua influência nas eleições regionais espanholas: Podemos em Barcelona e Cidadãos a nível nacional, sagrando-se como a terceira força política do país.