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Angústias, "cenários apocalípticos" e uma reserva de otimismo

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ALEXANDROS BELTES / EPA

"Condições humilhantes", "linhas vermelhas e "cenário apocalíptico" são palavras e expressões que marcam a atualidade das negociações entre a Europa e a Grécia. Mas Atenas ainda acredita.

Em pleno cenário de asfixia financeira torna-se cada vez mais urgente um acordo para Atenas. O porta-voz do Governo grego, Gabriel Sakellaridis, negou porém esta segunda-feira que o Executivo helénico queira pressionar os credores internacionais na véspera de novas negociações, embora admita que é vital um acordo para o desembolso da última tranche do empréstimo de 7200 milhões de euros. 

"Na medida em que tenhamos a possibilidade de pagar, cumpriremos com todas as nossas obrigações financeiras até quando por possível", declarou Gabriel Sakellaridis esta segunda-feira de manhã numa conferência de imprensa.

Segundo o porta-voz de Atenas, é da responsabilidade do Executivo grego cumprir com as suas obrigações, sendo por sua vez responsabilidade dos credores respeitar os seus compromissos.

"Com base nos nossos problemas de liquidez, torna-se imperativo para nós e para a zona euro chegar a um acordo. Nós queremos honrar as nossas obrigações, é por isso que precisamos de um acordo", acrescentou o responsável, insistindo que o Executivo está otimista quanto à possibilidade de um acordo a curto prazo, entre finais de maio ou o mais tardar no início de junho.

Estas declarações do Governo grego surgem um dia depois de o ministro do Interior,  Nikos Voutsis, ter anunciado que o país não vai pagar em junho a prestação de 1600 milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional (FMI), optando por pagar os salários e pensões.

Gabriel Sakellaridis desmentiu ainda esta segunda-feira aquilo que considera ser um "cenário apocalíptico" o facto de o Estado poder estar a controlar capitais para conter o fluxo de retirada dos depósitos bancários, na sequência de acusações da oposição, refere a Bloomberg.

Não à extensão do programa de resgate
O porta-voz do governo de Alexis Tsipras voltou também a recusar a hipótese de o Executivo querer extender o programa de resgate que termina em junho.

Numa altura em que o impasse negocial tem aumentado a tensão dentro do próprio Syriza, o primeiro-ministro reitera que o país não vai ceder em relação às "linhas vermelhas" que o governo definiu, como os cortes nos salários e nas pensões e as reformas do IVA e do mercado laboral.

No sábado, o primeiro-ministro helénico defendeu no comité central do Syriza que a Grécia está disposta a aceitar em breve um "acordo viável" com os seus credores, mas sem "condições humilhantes".     

O chamado "Grupo de Bruxelas", formado pela Comissão Europeia (CE), Banco Central Europeu (BCE), Fundo Monetário Internacional (FMI) e Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), vai retomar esta terça-feira as negociações com a Grécia com vista a um acordo que permita o desembolso da última tranche da ajuda de 7200 milhões de euros.