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Indecisos baralham eleições locais

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A governação de Rajoy pode ser castigada nas municipais e regionais

ELOY ALONSO

Forças emergentes dizem preferir socialistas para os inevitáveis pactos pós-eleitorais. Espanha vai hoje a votos para as eleições municipais e autónomas.

Angel Luis de la Calle
, correspondente em Madrid

Os indecisos, que, segundo as sondagens, representam 30 a 45% do eleitorado, vão ser decisivos nas cruciais eleições regionais e municipais que se realizam hoje em Espanha. O resultado de uma ida às urnas nunca foi tão incerto.

Sabe-se que o mapa político vai mudar de forma radical pela primeira vez na era democrática, iniciada em 1978. Duas novas forças, Cidadãos e Podemos, fizeram desaparecer o bipartidarismo tradicional, representado pelo Partido Popular (PP) e pelo Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE). O que ninguém consegue prever é a dimensão dessa mudança e que peso terão, nela, as novas gerações, gravemente castigadas pela crise.

É provável que o atual partido governante, o PP (centro-direita), seja o mais votado a nível nacional, embora possa perder cerca de 20 pontos percentuais em relação às regionais e autárquicas de 2011. O PSOE interrompe a queda a pique iniciada no final do mandato de Zapatero e poderá recuperar algum dos seus feudos, como a Extremadura. O Podemos modera a sua ascensão nos estudos de opinião, afetado por problemas internos e pela concorrência do Cidadãos, que se tornou a surpresa destas eleições.

Os partidos emergentes, que querem ser os regeneradores da democracia, terão nas mãos a chave da governabilidade nas 13 comunidades autónomas (todas menos Galiza, País Basco, Catalunha e Andaluzia) e em muitos dos 8122 municípios, isto numa Espanha pouco acostumada a pactos. O Cidadãos e o Podemos tardaram em pronunciar-se sobre futuras e inevitáveis alianças, mas, a menos de 72 horas da abertura das mesas de voto, afirmaram preferir o PSOE como parceiro.

Matías Alonso, secretário-geral do Cidadãos, disse na quarta-feira que tinha “maior afinidade” com o partido liderado por Pedro Sánchez do que com o do primeiro-ministro, Mariano Rajoy. Íñigo Errejón, “número dois” do Podemos, também designou os socialistas como “sócios potenciais”, porque o objetivo é “expulsar o PP” das regiões e concelhos que tem governado. O PSOE pode ver-se catapultado para a governação de comunidades autónomas e municípios perdidos há muito tempo. 

Os emergentes serão vitais em lugares emblemáticos como Madrid e Barcelona. Na capital de Espanha a luta é entre Esperanza Aguirre e Manuela Carmena. Aguirre já foi (quase) tudo no PP: ministra da Educação, presidente do Senado, presidente da região de Madrid e eterna aspirante a substituir Rajoy. Carmena é uma juíza progressista, que se distinguiu na defesa dos direitos humanos. Estreia-se na política encabeçando a candidatura Agora Madrid, uma coligação de forças de esquerda e ecologistas que inclui Podemos, Ganhemos, Equo e descontentes da Esquerda Unida (IU), mas não esta nem o PSOE.

As sondagens colocam Aguirre e Carmena num empate técnico, com 19 e 17 vereadores, respetivamente, seguidas por PSOE (11) e Cidadãos (10). Se vencer, o PP — que governa Madrid desde 1991 — terá de negociar com o Cidadãos para governar, mas o pacto adivinha-se muito difícil.

Em Barcelona passa-se algo semelhante: o alcaide Xavier Trías, da coligação nacionalista Convergência e União (CiU), tradicionalmente hegemónica, tem o lugar em risco. A última sondagem autorizada, publicada no domingo, põe à sua frente Ada Colau, cabeça de lista da amálgama progressista Barcelona em Comum (Podemos, Iniciativa pela Catalunha, IU, Equo e Processo Constituinte).

Desconhecida há um ano, Colau ganhou popularidade como líder da Plataforma Antidespejos. Na Catalunha, PP e PSOE vão ter um desaire: o PSC (ramo catalão do PSOE) pode mesmo perder metade dos 720 mil votos que obteve nas eleições de 2011.

  • As eleições municipais espanholas decorrem com normalidade. Até às 14h30 a taxa de afluência às urnas era de 34,78%, menos um ponto percentual do que há quatro anos.