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Acabou-se o 'namoro' entre Varoufakis e Lagarde. Grécia já não vai pagar em junho empréstimo ao FMI

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FOTO EMMANUEL DUNAND/AFP/GETTY

Ministro grego do Interior anunciou que o país não tem dinheiro para pagar em junho a prestação de 1600 milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Tsipras garante que o país não aceitará um acordo com "condições humilhantes". Varoufakis apela, por sua vez, ao esforço dos credores.

No início do mês, Yanis Varoufakis dizia esperar que o Governo grego não tivesse que entrar num "dilema catastrófico" de escolher entre pagar os seus empréstimos ou pagar os salários e as pensões. Sem acordo à vista e numa altura em que o país parece aproximar-se da bancarrota, essa opção tem, contudo, que ser feita. E a Grécia já escolheu: preferiu a segunda.

Neste domingo, o ministro grego do Interior,  Nikos  Voutsis, anunciou que o país não vai pagar em junho a próxima prestação de 1600 milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

"As quatro prestações para o FMI em junho são de 1,6 mil milhões de euros. Este dinheiro não será entregue e não está lá para ser entregue”, declarou ministro Nikos Voutsis à TV local Mega.

Apesar das críticas dos credores que lamentam o "progresso lento" nas negociações, o ministro grego das Finanças garantiu que o país está a fazer tudo o que está ao seu alcance para chegar a um acordo.  

Saída da Grécia do euro seria um "desastre"
"A Grécia  tem feito enormes progressos  em  chegar a um acordo. Cabe agora  às instituições  para  fazer a sua parte.  Nós já fizémos  três  quartos do caminho, eles precisam de fazer a  quarto parte  do caminho", disse Tanis Varoufakis, citado pela BBC.

Sobre a possível saída da Grécia do euro, Varoufakis voltou a defender que seria um "desastre" para o país e para toda a zona da moeda única, havendo interesse de ambas as partes em evitar esse cenário.

"Seria um desastre principalmente para a economia grega, mas seria também o início do fim do projeto da moeda comum na Europa. A zona euro tem que ser indivísivel", acrescentou.

Não a um acordo com "condições humilhantes"
O primeiro-ministro helénico, Alexis Tsipras, defendeu por sua vez no comité central do Syriza no sábado, que a Grécia está na reta final das negociações, estando disposta a aceitar um "acordo viável" com os seus credores, mas não com "condições humilhantes".  

Tsipras reiterou que o país não vai ceder em relação às "linhas vermelhas" que o governo definiu como a reforma do IVA e do mercado laboral.

O impasse negocial tem aumentado a tensão dentro do próprio Syriza. Segundo o jornal "Kathimerini", a plataforma de esquerda radical liderada pelo ministro helénico da Energia, Panayiotis Lafazanis, recusa-se liminarmente a aprovar um acordo que não salvaguarde as promessas eleitorais do partido.

A Grécia enfrenta problemas de liquidez, estando dependente do desembolso da fatia do empréstimo de 7200 milhões de euros.