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Grécia. Foi melhor com Juncker, pior com Merkel (e houve brincadeira com gravatas)

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Governo de Tsipras precisa de liquidez e continua a acreditar que o acordo está para breve. Posição de Merkel na Cimeira de Riga, na Letónia, mostra que as divergências continuam.

RADEK PIETRUSZKA / Reuters

A reunião desta sexta-feira de tarde entre o primeiro-ministro grego e o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, é descrita como mais agradável do que a que Alexis Tsipras teve com Angela Merkel na noite de quinta-feira - a fotografia de Juncker a resolver a inexistência de gravata em Tsipras é ilustrativa disso mesmo. Os dois encontros aconteceram em Riga, na Letónia, à margem da Cimeira da Parceria Oriental com seis ex-colónias soviéticas. 

Em Riga, o chefe do governo helénico voltou a dizer-se optimista quanto à possibilidade de se chegar em breve “a uma solução viável que não cometa os erros do passado”. A Grécia precisa de dinheiro com urgência e insiste que é possível fechar a última avaliação do resgate sem ter de se comprometer com reformas polémicas, que ponham em causa as promessas eleitorais do Syriza. 

Durante o encontro de quinta-feira, que durou duas horas e contou com a participação do presidente francês, François Hollande, os três líderes europeus falaram da necessidade de reformas laborais. No final, terá ficado claro que gregos e credores têm visões diferentes do assunto. 

Para Angela Merkel, a reunião foi “amigável e construtiva”, mas acrescentou que “o trabalho terá de continuar a ser feito com as três instituições”, deixando claro que não há solução para a Grécia fora do modelo do agora chamado “grupo de Bruxelas (ex-troika). 

As autoridades gregas têm de continuar as negociações técnicas com o Fundo Monetário Internacional, o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia. 

Dia da verdade
A Grécia precisa do dinheiro do resgate e espera consegui-lo até 5 de junho, dia em que tem de fazer mais um pagamento ao FMI. No total, no próximo mês, terá de pagar à instituição liderada por Christine Lagarde mais de mil milhões de euros. Para o líder da bancada parlamentar do Syriza, 5 de junho será o dia da verdade. O governo grego também tem dito que entre pagar ao FMI e o pagamento de salários, vai dar prioridade à segunda opção. 

Para conseguir receber até essa data o dinheiro que resta do resgate – 7,2 mil milhões de euros – a Grécia terá de convencer nos próximos dias o trio FMI, BCE e Comissão. Só depois seria convocada uma reunião extraordinária dos ministros das finanças da moeda única, que tomariam a decisão final de desbloquear o dinheiro. 

Fonte do Eurogrupo diz que “está nas mãos dos gregos” acelerar este processo e garantir uma reunião do Eurogrupo na próxima semana. Tendo em conta que há ainda muitos pontos em que gregos e credores não concordam, um entendimento rápido poderia significar um também rápida cedência por parte de Atenas, com recuos nas chamada “linhas vermelhas”. 

Por outro lado, em Riga, ouvem-se também vozes que acreditam que os membros do euro – incluindo por pressão da Alemanha – poderiam facilitar o acordo para garantir que a Grécia não entraria em bancarrota. 

Este é um argumento que tem alimentado as esperanças do Syriza, mas que, a concretizar-se, poderia também levantar problemas no seio do Eurogrupo, incomodando países como Espanha, a Irlanda, os países do Báltico ou até Portugal. Países que passaram por situações de ajustamento e que poderiam levantar obstáculos a um entendimento “mais brando” com a Grécia do que o que foi acordado inicialmente.