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Como Passos analisa o Grexit: seria mau para a política, nem tanto para a economia

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FOTO NUNO ANDRÉ FERREIRA / LUSA

Primeiro-ministro comentou a falta de tempo que aperta os gregos, analisou os sinais - ou a ausência deles - relativos à possibilidade de um acordo que resolva os problemas em Atenas e elaborou sobre as consequência de uma eventual saída da Grécia do euro.

Pedro Passos Coelho reafirmou esta quinta-feira à noite a necessidade de se chegar a um acordo que estabilize a situação financeira na Grécia, alertando que “o tempo está a ficar curto” e que não “não tem havido sinais” de que o entendimento esteja próximo de ser alcançado. 

“Eu gostaria que isso fosse possível, embora não acredite que isso dependa da minha vontade política”, disse o primeiro-ministro no final do jantar da Cimeira sobre a Parceria Oriental, em Riga, na Letónia, onde o tema da Grécia foi abordado à margem da agenda oficial. 

“Há uma persistente dificuldade de encontrar uma solução que possa ser encarada como duradoura”, afirmou o primeiro-ministro, recordado que Portugal e a Irlanda também passaram por um período de resgate, mas que conseguiram sair do programa de assistência. 

Passos Coelho disse ainda que é do interesse de todos que a Grécia não saia do euro, admitindo contudo que a Europa poderia sobreviver a uma situação semelhante. “Não acredito que essa fosse uma situação que trouxesse uma perturbação maior, do ponto de vista do curto prazo, em termos financeiros”, disse, justificando que a União Europeia tem hoje uma situação económica mais robusta. Já em termos do projeto político, acredita que o chamado “Grexit” teria um impacto negativo. 

O final do primeiro dia de Cimeira de Riga serviu ainda para voltar a reunir o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, a chanceler alemã, Angela Merkel, e ainda o presidente francês, François Hollande. Na reunião participou também o novo coordenador grego das negociações técnicas com as três instituições – Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional –, Euclid Tsakalotos. 

Ao que o Expresso conseguiu apurar, os três líderes políticos olharam para os vários pontos das negociações, tentando perceber os caminhos para chegar a um "acordo abrangente" sobre a lista de reformas que o Governo do Syriza terá de implementar. O entendimento é essencial para que a Grécia receba os 7,2 mil milhões de euros que restam do programa de resgate. 

Do lado grego, mantém-se a expectativa de que é possível chegar a acordo até ao final de maio, sem pisar a chamada "linha vermelha" da reforma do mercado laboral e sem fazer concessões nesta matéria.