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O que esconde a "biblioteca de Bin Laden"?

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Osama Bin Laden, ex-líder da Al-Qaeda, assassinado em maio de 2011 pelas tropas norte-americanas

GETTY IMAGES

Obcecado pelos Estados Unidos, amoroso, preocupado com o aquecimento global e com a saúde dentária dos seus novos recrutas. As facetas desconhecidas do homem mais temido do início do século XXI que conhecemos nos documentos divulgados pelo Governo norte-americano.

Cartas de amor, obsessão pelos Estados Unidos, formulários de recrutamentos de jiadistas, preocupações com o aquecimento global, conselhos para os novos recrutas - tudo isto e muito mais na centena de documentos de Osama Bin Laden, divulgada esta quarta-feira pela Agência Nacional de Informação dos EUA. 

Sob o nome de "Biblioteca de Bin Laden", a documentação contém ainda planos para uma grande comemoração do décimo aniversário do 11 de Setembro (que deveria ter sido celebrada no ano em que Bin Laden foi morto), a par de livros sobre a economia francesa e teorias de conspiração sobre o ataque às Torres Gémeas. A coleção corresponde aos últimos anos de vida do ex-líder da Al-Qaeda, que foi assassinado a 2 de maio de 2011, pelas tropas norte-americanas, na cidade paquistanesa de Abbottabad. 

“Deseja executar uma operação suicida?" 
O líder da Al-Qaeda preocupava-se muito com o recrutamento de novos membros para a organização radical. Tinha um formulário próprio que os voluntários teriam de preencher para que, posteriormente, ele pudesse avaliar a "aptidão" dos candidatos. 

 “Deseja executar uma operação suicida? Quem devemos contatar caso se converta num mártir? Foi educado pela sharia [lei islâmica]? Quantas vezes esteve no Paquistão? Hobbies? Ciência ou literatura? Tem familiares que trabalham para o governo e querem cooperar connosco?”, lê-se num dos formulários de seleção. 

Para muito espanto da comunidade internacional, Bin Laden preocupava-se com as alterações climáticas. Numa das cartas encontradas, o mastermind do 11/09 pedia que os muçulmanos evitassem o abate de árvores e avisava os seus subordinados para estarem prontos para futuros desastres naturais. 

A par de outros avisos, Bin Laden aconselhava aos novos recrutas terem cuidado com a sua saúde, em particular com os dentes. Dizia ainda que os "irmãos mais brilhantes" seriam enviados para estudar no estrangeiro, nomeadamente em escolas de química, para depois produzirem armas. 

Foi ainda encontrada uma exaustiva biblioteca de livros de autores norte-americanos, entre os quais do linguista Noam Chomsky e do jornalista Bob Woodward que, na década de 1970, revelou o escândalo político do ex-Presidente dos EUA Richard Nixon (Watergate), entre outros livros sobre a política externa norte-americana, e até sobre os Illuminati. 

Osama Bin Laden, a ver televisão no seu esconderijo no Paquistão, num vídeo sem data divulgado pelo Pentágono

Osama Bin Laden, a ver televisão no seu esconderijo no Paquistão, num vídeo sem data divulgado pelo Pentágono

DR

Interesse público ou "fabricação"? 
"É do interesse do público norte-americano - cidadãos, académicos, jornalistas e historiadores - terem oportunidade de lerem e compreenderem os documentos de Bin Laden", disse Jack Langer, presidente da Agência Nacional de Informação norte-americana, depois da divulgação dos documentos. 

Aquilo que para alguns é do interesse público é para outros uma "fabricação". Precisamente uma semana antes da divulgação dos documentos, o jornalista norte-americano Seymour Hersh publicou uma reportagem de investigação onde acusava a Casa Branca de mentir sobre a morte de Bin Laden. 

O jornalista alega que o líder da Al-Qaeda, na altura em que foi assassinado, estaria há já vários anos sob a custódia dos Serviços Secretos do Paquistão, em Abbottabad, onde a missão estava a decorrer. E não 'enfiado' num esconderijo onde os serviços da CIA o encontraram, como reivindica a administração de Obama. Hersh diz que os relatórios divulgados são uma "fabricação". 

Coleção "bastante extensa" de pornografia 
Verdadeiros ou não, a Casa Branca promete divulgar outros documentos de Bin Laden. Mas nem todos. Como adianta o britânico Daily Mail, quando os soldados norte-americanos encontraram o esconderijo de Osama Bin Laden, apreenderam uma "bastante extensa" coleção de pornografia. 

O Governo dos EUA recusa-se a revelar detalhes sobre esta coleção devido à sua natureza obscena. Depois desta descoberta, muitos chamam Bin Laden de hipócrita, visto que a visualização de pornografia choca com os princípios da religião muçulmana.