Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Espanha concede visto temporário à criança escondida em mala de viagem

  • 333

Os agentes da alfândega em Ceuta quase não acreditaram: um rapaz de oito anos, em posição fetal, tentava passar de Marrocos para Espanha

Ministério da Administração Interna de Espanha / Reuters

A “criança da mala”, como ficou conhecido o costa-marfinense Adou, de oito anos, que a 7 de maio tentou passar a fronteira dentro de uma mala de viagem, vai poder ficar um ano em Espanha. Mas ainda espera pelos testes de ADN para comprovar quem são os progenitores.

Adou tem oito anos e o seu caso chocou o mundo quando no passado dia 7 foi descoberto no interior de uma mala de viagem na fronteira de Ceuta, quando tentava entrar ilegalmente em Espanha.

Esta quinta-feira soube-se que foi concedido ao rapaz um visto de residência temporário, de um ano, que lhe permite permanecer em Espanha. A secretaria-geral de Imigração e Emigração do Ministério do Emprego concedeu a autorização porque o caso envolve circunstâncias excecionais, seguindo refere o diário "ABC". 

Desde que foi descoberto pelas autoridades espanholas o menor está entregue aos cuidados do centro de acolhimento do Mediterrâneo, onde espera agora pelo resultado do teste de ADN feito ao pai e à mãe para confirmar se são estes os progenitores de Adou. 

Esta caso está a ser tratado com muito cuidado dadas as circunstâncias em que ocorreu. Adou foi descoberto dentro de uma típica mala de viagem com rodas, tipo trolley, transportada por uma jovem marroquina de 19 anos, otiginária da Costa do Marfim, que se mostrava impaciente e nervosa quando chegou à alfândega de Tarajal, na fronteira entre Marrocos e Ceuta. 

Perante a desconfiança causada, os agentes da alfândega passaram a mala pelo scanner e o não acreditaram nas imagens: um rapaz em posição fetal, junto com algumas roupas.  

Tratadas as formalidades, o miúdo foi entregue à comissão de proteção de menores em Ceuta, que psteriormente o entregou a cargo do centro de recolhimento já citado, enquanto a jovem marroquina, Fátima, ficou detida.  

Enquanto isto, uma hora e meia depois da descoberta do pequeno, surgiu na fronteira um homem de origem subsariana, de 42 anos, que tinha uma autorização de residência em Las Palmas, nas Canárias. O homem também vinha da Costa do Marfim e essa coincidência não passou despercebida às autoridades.  

Interrogado, acabaria por confessar ser o pai de Abou, explicando à polícia espanhola que "só queria levá-lo" consigo "para as Canárias". Acabou detido por alegado tráfico ilegal de pessoas e suspeita-se que tenha pago à jovem marroquina de 19 anos para transportar o seu filho.  

Voltemos a Adou, outra vez, para dizer que esta segunda-feira foi visitado pela mãe, Lucie Ouattara, uma costa-marfinense que está legalizada em Espanha e residente desde 2006 em Puerto del Rosario, na ilha de Fuerteventura, Canárias. Durante a visita,  Lucie fez-se acompanhar por um advogado, refere o "ABC". 

Se os testes de ADN o confirmarem Adou poderá, finalmente, juntar-se à mãe, que terá então um ano para tentar legalizar a situação do menor.