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Varoufakis, o fã: admiro Schäuble. Varoufakis, o rebelde: desejo contrariá-lo

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KOSTAS TSIRONIS / Reuters

Mais uma entrevista, mais considerações: o ministro grego explica o que aprecia e o que o irrita no homólogo alemão. E pormenoriza os preconceitos que observa em Schäuble.

Contam as testemunhas presentes nas reuniões do Eurogrupo que, durantes as repetidas negociações sobre a dívida e as reformas económicas da Grécia, o confronto entre Yanis Varoufakis e Wolfgang Schäuble é constante. Os dois (quase) nunca estão a puxar para o mesmo lado.

Pode parecer contraditório, mas Yanis diz admirar o governante alemão e explica que a relação entre os dois é composta por muitas camadas: “Há uma certa admiração de me encontrar com uma figura lendária, cujo trabalho há décadas acompanho. Por outro lado, há um forte desejo de contrariar a sua abordagem abrangente sobre os problemas comuns da Europa”.

Este é um excerto, divulgado esta quarta-feira, de uma entrevista que Yanis Varoufakis concedeu ao semanário alemão “Die Zeit”. A entrevista na íntegra é publicada esta quinta-feira.

O ministro helénico lamenta que quando os dois conversam, não consigam falar “num contexto democrático em que os argumentos contem mais do que o poder relativo”.

Varoufakis considera que Wolfgang Schäuble não foi correto com a análise que fez da crise grega, acusando o alemão de achar que os anteriores governos são um espelho do que são os gregos. “Acho que ele cometeu erros - da mesma forma que acho que ele pensa que eu errei nas minhas análises. Associa os anteriores governos gregos à população grega, como se um refletisse o carácter do outro.”

Outras das condenações referidas por Varoufakis é a posição do ministro das Finanças germânico sobre partidos como o Syriza. “Não aprecia o quão útil podia ser para os países do norte da Europa encontrar uma movimento com um modus vivendi [como o Syriza, na Grécia], que pode ser crítico para as instituições europeias, mas que é profundamente pró-europeu e ansioso por ajudar a Europa a ser mais unida”, justifica.

Já muitas vezes se escreveu e se disse que Varoufakis e Schäuble só concordam em discordar, mas ao que parece não é bem assim. O grego garante que têm mais um ponto em comum. Os dois concordam que “a Europa precisa de união política e que sem isso a união monetária é problemática”.