Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Estados Unidos admitem retrocesso diante do Estado Islâmico, mas acreditam na estratégia

Um militar iraquiano transporta às costas uma das milhares de pessoas que fugiram de Ramadi

Reuters

Iraque, 2015: os jiadistas vão de porta em porta em Ramadi, procurando e perseguindo simpatizantes das forças governamentais. Milhares de famílias fogem desesperadamente de uma cidade fora de controlo. "Nós dissemos sempre que haveria avanços e recuos. (...) Haverá vitórias e retrocessos. É um retrocesso", reage o Pentágono.

Apesar de a conquista da cidade iraquiana de Ramadi, na província sunita de Al-Anbar, no passado fim de semana, ter representado uma significativa derrota nos combates contra o autodenominado Estado Islâmico (Daesh), os Estados Unidos não tencionam mudar a sua estratégia de intervenção no Iraque. O presidente norte-americano, Barack Obama, pondera apenas acelerar a formação das tribos iraquianas, de forma a que possam recuperar a cidade.

"Estamos a estudar a melhor forma de apoiar as forças terrestres em Anbar, particularmente ao acelerar a formação e equipamento das tribos locais e apoiar a operação no Iraque para recuperar Ramadi", disse Alistair Baskey, porta-voz do Conselho Nacional de Segurança, com o qual Obama esteve reunido esta quarta-feira.

“Temos a estratégia certa nesta altura para desgastar e derrotar o Daesh”, afirmou por sua vez o coronel Pat Ryder, porta-voz do comando central norte-americano. 

"Nós dissemos sempre que haveria avanços e recuos. (...) Haverá vitórias e retrocessos. É um retrocesso", disse o porta-voz do Pentágono, coronel Steven Warren, acrescentando que as forças da coligação irão recuperar Ramadi. "Nós iremos reocupar a cidade da mesma maneira que estamos em vias de reocupar outras partes do Iraque, com o apoio das forças iraquianas no terreno e dos ataques aéreos da coligação", disse o porta-voz.

Os militantes do Daesh haviam repetidamente atacado Ramadi este ano, ao mesmo tempo que a polícia local esteve meses sem receber ordenados e pedia às famílias e empresários locais dinheiro para comprar armas. “Nós pedimos e pedimos por mais apoio do Governo, e nada”, declarou o coronel Eissa al-Alwani, oficial da polícia em Ramadi.

O primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, reiterou na terça-feira a intenção de treinar e armar os combatentes sunitas na região. Mas com a queda de Ramadi, muitos líderes e guerrilheiros tribais sunitas que poderiam ter ajudado nos combates contra o Daesh foram mortos ou partiram para outras partes do país

“O plano [do Governo iraquiano] parece um fracasso”, declarou Ihsan al-Shamari, analista político residente em Bagdade. “Agora, os sunitas estão ainda mais desconfiados do Governo e vai ser ainda mais difícil fazê-los colaborar com um sistema político do qual já desconfiavam profundamente.”

Diversos partidos sunitas no parlamento iraquiano divulgaram uma declaração “culpando o Governo “ pela queda da cidade. Entretanto, o Exército iraquiano parece estar a preparar um contra-ataque com o auxílio de milícias xiitas.

A conquista da cidade iraquiana de Ramadi pelo Daesh, no domingo passado, criou uma nova crise humanitária, com o êxodo de milhares de famílias que procuraram refúgio. A maioria dirige-se para Bagdade, a cerca de 105 quilómetros de distância.

As Nações Unidas indicaram que 25 mil pessoas abandonaram a cidade tomada pelo Daesh
1 / 6

As Nações Unidas indicaram que 25 mil pessoas abandonaram a cidade tomada pelo Daesh

Reuters

A generalidade dirigiu-se para Bagdade, mas a entrada na capital foi-lhes vedada
2 / 6

A generalidade dirigiu-se para Bagdade, mas a entrada na capital foi-lhes vedada

Reuters

A fuga da população sunita criou mais uma crise humanitária no país
3 / 6

A fuga da população sunita criou mais uma crise humanitária no país

Reuters

4 / 6

Reuters

Um militar iraquiano transporta às costas uma das milhares de pessoas que fugiram de Ramadi
5 / 6

Um militar iraquiano transporta às costas uma das milhares de pessoas que fugiram de Ramadi

Reuters

Diversos partidos sunitas no parlamento iraquiano divulgaram uma declaração “culpando o Governo “ pela queda da cidade
6 / 6

Diversos partidos sunitas no parlamento iraquiano divulgaram uma declaração “culpando o Governo “ pela queda da cidade

Reuters