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Polícias condenados por não evitarem linchamento de mulher acusada de queimar o Corão

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A morte de Farkhunda originou uma série de protestos, dentro e fora do Afeganistão

OMAR SOBHANI/REUTERS

Vítima foi linchada, queimada e depois atirada ao rio. Caso aconteceu em março, sentença foi proferida esta terça-feira.

Onze polícias afegãos foram esta terça-feira condenados a um ano de prisão por negligência, depois de o tribunal ter considerado provado que nada fizeram para evitar a morte de Farkhunda, uma mulher linchada em Cabul por supostamente ter incendiado um exemplar do Corão. Oito outros agentes foram absolvidos por falta de provas.

O caso aconteceu em março deste ano, em pleno centro da capital afegã, quando uma multidão enfurecida acabou por matar a mulher, de 27 anos, queimando em seguida o cadáver e atirando-o ao rio.

A notícia provocou uma onda de indignação no país, sobretudo entre as mulheres, mas também internacionalmente, o que forçou o presidente Ashraf Ghani a abrir uma investigação. De acordo com as conclusões, Farkhunda foi injustamente acusada por um vendedor ambulante com o qual tivera antes uma discussão, tendo sido este a incitar o linchamento.

No início de maio, outras quatro pessoas foram condenadas à morte pelo envolvimento neste caso - uma delas um guarda do santuário junto do qual a mulher foi morta -, tendo outras oito recebido penas de 16 anos de prisão.