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“Não serei mais Charlie Hebdo, mas serei sempre Charlie”

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IAN LANGSDON / EPA

Cartoonista sobrevivente do ataque ao Charlie Hebdo anunciou a saída, porque o trabalho “passou a ser demasiado para suportar”.

No dia do atentado, Renald Luzier estava atrasado e foi isso que o salvou. O cartoonista foi a única pessoa a caricaturar Maomé e que sobreviveu. Agora, Luz, como Renald Luzier assina os seus cartoons, anunciou que vai deixar a revista satírica.

“Não serei mais Charlie Hebdo, mas serei sempre Charlie”, afirma Luz, citado pelo jornal francês “Libération”. Em entrevista publicada terça-feira pelo diário francês, Luzier justifica a decisão com o excesso de trabalho. “Já não há quase ninguém para desenhar. Dei por mim a fazer três em cada quatro capas da revista.”

A acumular com o excesso de trabalho está o cansaço e a constante lembrança dos colegas assassinados durante o massacre. “Terminar cada edição tem sido uma tortura, porque os outros não estão cá. Passar as noites sem dormir a pensar nos que morreram e a imaginar o que Charb, Cabu, Honore e Tignous fariam é muito desgastante.”

Esta foi uma decisão “pessoal” e que o cartoonista tomou para “tentar recupera o controlo” da sua vida. Em abril, o cartoonista já tinha afirmado que iria parar de desenhar caricaturas de Maomé, pois já não havia interesse.

Renald Luzier foi o autor da capa da edição seguinte ao ataque ao Charlie Hebdo. Desenhou um cartoon onde Maomé acena enquanto diz “estão todos perdoados” e segura um sinal com o slogan “Je suis Charlie”.