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Não há plano Juncker, mas há fé para a Grécia. E Merkel e Hollande pedem velocidade

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FOTO EMMANUEL DUNAND/AFP/ Getty

Varoufakis anuncia data para acordo provável, Juncker confirma - mas fez questão de esclarecer alguns rumores. Da Alemanha e França chegam apelos de aceleração.

Depois de vários meses de negociações, o impasse entre o executivo helénico e os credores europeus pode estar em vias de deixar de o ser. O acordo poderá estar para breve, segundo Yanis Varoufakis, numa altura em que o país parece estar à beira da bancarrota

"Penso que estamos muito próximos de um acordo, talvez dentro de uma semana", declarou o ministro grego das Finanças, em entrevista à estação de televisão grega Star.    

O governante helénico voltou a insistir que a saída do Grécia da zona euro não é uma hipótese, assegurando que o país está a fazer todos os possíveis para chegar a um consenso com o chamado "grupo de Bruxelas" - constituído pela Comissão Europeia (CE), Banco Central Europeu (BCE), Fundo Monetário Internacional (FMI) e Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE).

Acreditando que será possível um acordo com a Grécia, o presidente da CE mostra-se também otimista quanto ao prazo.  "Penso que sim, será possível [um acordo] entre finais de maio e início de junho", afirmou Jean-Claude Juncker em Estrasburgo, citado pela Bloomberg.  

Questionado sobre um eventual compromisso que estaria a ser preparado por Bruxelas, segundo avançaram alguns orgãos de comunicação social, o líder da Comissão Europeia nega. "Não há plano Juncker. Isso é um rumor de imprensa grega e britânica, que não correspondem à verdade", assegurou.

Acelerar as discussões
Angela Merkel e François Hollande alertaram, por seu turno, que as negociações gregas terão que acelerar, tendo Atenas que mostrar maior esforço com vista a um acordo.

"Eu diria que as discussões devem ser aceleradas e nós esperamos ver um progresso decisivo nos fóruns relevantes, em particular no chamado Grupo de Bruxelas. O acordo de fevereiro previa que o programa deve ser finalizado até o final de maio. Estamos todos interessados nisso", afirmou a chanceler alemã, numa conferência de imprensa conjunta com o Presidente francês.

Sublinhando que os dois líderes se deverão encontrar com o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, na Cimeira de Riga, de 21 e 22 de maio, Hollande frisou que está a esgotar-se o tempo para a Grécia: "Todos nós defendemos que os gregos devem permanecer na zona euro. Mas a Grécia têm necessidades e não pode esperar", avisou Hollande.

Entretanto, decorre neste momento uma reunião no Ministério das Finanças, em Atenas, entre o vice-primeiro-ministro John Dragasaki, o ministro das Finanças Yannis Varoufakis, o ministro da Economia George Stathakis e o ministro-adjunto dos Negócios Estrangeiros Euclides Tsakalotos. Na agenda está um único ponto: encontrar uma solução para as negociações com os credores, sem ultrapassar as "linhas vermelhas".

A oposição tem alertado que o atraso na obtenção de um acordo pode custar caro à Grécia, sendo vital um consenso a curto prazo que permita o desembolso da última tranche do empréstimo de 7,2 mil milhões de euros.