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Internacional

Tropas de Kiev capturam 'forças especiais russas'

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Soldado ucraniano num posto de controlo em Luhansk

SERGEI KOZLOV / EPA

Governo ucraniano diz ter capturado dois soldados das forças especiais russas a operar na área de Luhansk, perto da linha da frente do conflito. A Rússia ainda não se pronunciou

O porta-voz militar do Governo ucraniano, Andriy Lysenko, declarou este domingo que o batalhão de voluntários Aidar capturou dois soldados russos na cidade de Shchastya, perto da linha da frente dos combates entre as forças fiéis ao Governo de Kiev e os separatistas pró-russos. Sem mais detalhes, Lysenko anunciou que os investigadores ucranianos estavam a questionar os homens. 

O conflito entre os rebeldes pró-russos e o Governo ucraniano dura há mais de um ano e já tirou a vida a mais de seis mil pessoas. O Ocidente tem acusado constantemente a Rússia de apoiar os separatistas com soldados e armas, mas o Kremlin nega qualquer envolvimento. 

Anton Gerashchenko, deputado do Parlamento ucraniano, partilhou este domingo um vídeo de cerca de oito minutos que mostrava o interrogatório a um dos alegados soldados russos detidos. Deitado numa cama de hospital, o jovem apresenta-se como sargento Alexander Alexandrov das forças especiais russas de Togliatti, a cerca de mil quilómetros da Ucrânia. Afirma pertencer a um grupo de 14 homens e garante estar em Luhansk desde o dia 6 de março, em rotação na cidade de Shchastya a cada quatro a cinco dias. 

Medo do tráfico de órgãos
Segundo o médico de serviço do batalhão Aidar, Gregory Maksimets, o nome do segundo soldado capturado é Ievgen Ierofeyev. Como sempre nestes casos, os sabotadores russos estavam muito preocupados com os seus órgãos. Temiam que os médicos lhos tirassem para depois os vender. Segundo os prisioneiros, é assim que os comandantes assustam os seus soldados, escreveu Maksymets na sua página de Facebook. 

O vídeo partilhado ainda não foi confirmado por nenhuma organização independente e a Rússia ainda não comentou as alegadas detenções dos seus soldados. Na semana passada, ativistas da oposição russa publicaram um relatório, compilado originalmente pelo severo crítico de Kremlin  Boris Nemtsov, assassinado em fevereiro , alegando que 220 soldados russos morreram em duas importantes batalhas no leste da Ucrânia, o que contraria o alegado não-envolvimento da Rússia no conflito.

A primeira vez que as forças ucranianas capturaram soldados russos foi em agosto do ano passado, com 10 paraquedistas a serem feitos prisioneiros. O ministério de Defesa russo declarou, na altura, que os homens tinham cruzado a fronteira acidentalmente, durante uma patrulha de rotina.