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Mulher violada morre depois de 42 anos em coma

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Aruna Shanbuag era enfermeira num hospital indiano quando foi violada aos 25 anos, tendo sofrido lesões que a deixaram em coma. Morreu esta segunda-feira, aos 66 anos.

É uma história que data de 1973, ano em que se inauguravam as Torres Gémeas, em Nova Iorque, e as fotografias ainda eram a preto e branco. Aruna Shanbuag tinha na altura 25 anos e a sua fotografia à época era igual a outras tantas: a preto e branco, mas ainda assim era possível conhecer-lhe os traços de uma jovialidade que se perdeu, na sequência de uma violação que lhe custou a vida.

Shanbaug foi atacada por um auxiliar na cave do hospital onde trabalhava. Foi estrangulada com uma trela e violada. Teve que esperar 11 horas até ser encontrada, já cega e com graves lesões cerebrais. Passou os últimos 42 anos numa cama de hospital, a ser assistida pela equipa de médicos do hospital King Edward, de Mumbai.

Na altura, o caso chocou a Índia. Não só pelo facto de o agressor ter saído em liberdade após cumprir sete anos de prisão, mas também pela polémica que gerou em torno da eutanásia. Em 1999, Pinki Virani, jornalista e amiga de Shanbaug, recorreu ao Supremo Tribunal para que lhe fosse concedida a autorização para desligar as máquinas de suporte de vida às quais a enfermeira estava ligada. O pedido interposto foi rejeitado – a legislação indiana, à data, não permitia a eutanásia.

Dois anos mais tarde, já depois da entrada no novo milénio, o Supremo Tribunal viria a autorizar a “eutanásia passiva” em casos de doentes em fase terminal. Mas o pedido só poderia ser feito pela família e estaria sujeito à supervisão dos médicos e da justiça. Mesmo assim, Pinki Virani voltou a tentar e o tribunal rejeitou o recurso, considerando que a jornalista não podia fazer o pedido em nome da amiga.

Depois de uma vida ligada às macas e a ser alimentada através de tubos, Aruna contraiu nos últimos dias uma pneumonia. Foi ligada a um ventilador e, esta segunda-feira, um funcionário do hospital onde a enfermeira trabalhou anunciou a morte.

"Ela finalmente conseguiu voar para longe. Mas, antes disso, deu à Índia uma lei sobre eutanásia passiva", afirmou Pinki Varini, em declarações à BBC.  

Outros casos
Aruna Shanbaug é um dos mais recentes casos de comas prolongados, mas não é o único. Já antes, Edward O’Bara, também conhecida como “Branca de Neve” e que faleceu a 25 de novembro de 2012, na sequência de diabetes, tinha estado ligada às máquinas durante 43 anos. Na altura, a mãe de O’Bara prometeu que não a deixaria e cumpriu com o prometido até ao dia da sua morte, em 2007.

Também Elaine Esposito e Sunny von Bullow são exemplos de pessoas que passaram uma vida ligada às máquinas. Elaine esteve em coma durante 37 anos, depois de uma rutura no apêndice que a levou de emergência para o hospital. Não acordou depois de a cirurgia ter terminado e faleceu aos 43 anos. Quando deu entrada nas urgências, tinha seis.

A história de Sunny von Bullow, que inspirou o filme “O reverso da fortuna”, é mais um caso de um coma maior que os anos de vida. Em dezembro de 1980, a socialite e filantropa norte-americana entrou em estado vegetativo depois de ter sido encontrada inconsciente na banheira de casa. Na altura, o marido foi acusado de tentar matá-la, mas não houve conclusões. Tinha 48 anos quando entrou em coma. Morreu aos 76 anos.