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Macedónios exigem a demissão do primeiro-ministro

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Manifestantes seguram bandeiras da Macedónia em frente ao edifício do Governo em Skopje

GEORGI LICOVSKI / EPA

Mais de 20 mil macedónios reuniram-se este domingo em Skopje a exigir a queda do Governo. Esta segunda-feira o protesto da oposição continua e as autoridades do pequeno país temem o descontrolo e confrontos entre manifestantes pró e contra o Governo.

O que começou como uma marcha de protesto na capital da antiga República jugoslava da Macedónia transformou-se numa manifestação que, por enquanto, não tem fim à vista. A oposição ao Governo promete continuar na rua até que o primeiro-ministro, o conservador Nikola Gruevski, se demita. 

Mais de 20 mil pessoas  entre elas políticos, jornalistas e líderes religiosos de várias etnias do país – marcharam, no domingo, na capital da Macedónia, Skopje, uma semana depois do conflito entre a polícia e cidadãos da etnia albanesa na cidade de Komonovo, onde morreram 18 civis. O pequeno país dos Balcãs atravessa uma profunda crise política. 

Ficaremos aqui o tempo que for necessário, até à vitória final, até a demissão do primeiro-ministro, disse à agência AFP um dos manifestantes, o psicólogo Aleksandar Krstevski, que viajou de Komonovo até à capital para mostrar o seu descontentamento. 

Manifestação pró-Governo
Durante a madrugada desta segunda-feira, cerca de 100 manifestantes acamparam em torno de um palco, situado em frente ao edifício do Governo  um dos marcos monumentais construídos por Gruevski nos seus nove anos no poder. A par das bandeiras macedónias, estavam representadas as de várias minorias do país, entre as quais a albanesa, a turca e a cigana. 

Gruevski é primeiro-ministro desde 2006 e, há alguns meses, parecia ter um controlo inabalável do país. Agora, está sob enorme pressão e tenta reunir o máximo de pessoas para a manifestação pró-Governo marcada para o final de tarde desta segunda-feira. 

As autoridades macedónias temem confrontos entre os manifestantes pró-Governo e os da oposição. “Os apoiantes do Governo, apoiantes do Partido Democrático Macedónio Unidade Nacional, podem ter a sua manifestação noutro sítio qualquer. Aqui só estarão cidadãos honestos, disse um manifestante anti-Governo.

Corrupção governamental generalizada
O líder do principal partido da oposição, Zoran Zaev, da União Democrática Social da Macedónia (SDSM), divulgou em fevereiro trechos de gravações de conversas que, alegadamente, lhe foram entregues por um informador anónimo. As gravações provam uma corrupção governamental generalizada. Vários ministros do Governo de Gruevski são ouvidos a conspirar para cometer fraude eleitoral, intromissão no sistema judicial, um assassínio e outras irregularidades. 

Apesar do escândalo, o primeiro-ministro diz que não se vai demitir e insiste que as manifestações na Macedónia têm sido incitadas por agências de serviços secretos estrangeiros. O seu Governo nega a autenticidade das gravações e acusa Zaev e os seus seguidores de espionagem.