Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Menino sírio de 9 anos 'vive' duas semanas no aeroporto do Dubai

  • 333

Podia ser a sequela do filme “Terminal de aeroporto”, mas é a história de Wael, um sírio-palestiano, e do seu filho. Queriam chegar à Europa, mas só conseguiram entrar na Jordânia

Lembra-se do filme “Terminal de Aeroporto”? Em que Tom Hanks vestia a pele de um refugiado que fica preso no Aeroporto Internacional John F. Kennedy, nos Estados Unidos? Pois bem, Wael al-Sahlee, um refugiado sírio-palestiniano, e o seu filho de nove anos, foram obrigados a viver durante duas semanas no aeroporto do Dubai, até serem enviados para a Jordânia na última quinta-feira.

Os funcionários da manutenção foram oferecendo bolachas e chocolates ao pequeno Montasser. Mas esse foi o único gesto simpático nesta paragem forçada. Dormiam no chão, atrás de umas cadeiras ao pé da porta 12 do terminal 2. Tinham três refeições por dia, oferecidas pela companhia aérea em que viajaram.  Nunca tomaram banho nem mudaram de roupa pois, no aeroporto do Dubai, só existem chuveiros na zona reservada à primeira classe. E eles eram apenas um homem e uma criança que estavam ali na 'terra de ninguèm'.

Preso por ter cuidado de feridos na Síria
“Foi uma experiência muito feia. Via as pessoas às compras no "duty free" e a irem de férias.  Quando Montasser olhava para as outras crianças  ainda se sentia mais "aprisionado”, contou Wael al-Sahlee, citado pelo jornal britânico “The Guardian”.

“Nós somos humanos. Não é justo sermos tratado desta forma nos aeroportos árabes. Temos uma nação: a Palestina. Mandem-nos para lá. Não temos que implorar por um lugar  noutros países”, disse Wael.

Sahlee tem 41 anos e é escultor. Cresceu num campo de refugiados para famílias palestinianas que fugiram do conflito israelo-árabe. Quando começou a guerra na Síria, ele e a mulher transformaram a casa onde viviam num pequeno hospital para cuidar dos feridos. Por causa disso foi preso e alguns dos seus amigos foram torturados até à morte.

Em 2012, quando foi libertado, fugiu com a mulher, Nisrene, o filho Montasser e as duas filhas para a Jordânia, mas encontraram a fronteira fechada.

A triste saga dos palestianos da Síria
Decidiram tentar entrar ilegamente na Europa, mas como não tinham dinheiro para todos, partiram apenas os homens da família. Voaram até ao Sudão, com escala no Dubai. A ideia era, uma vez na capital sudanesa, pagar a contrabandistas para levá-los para a Líbia e, em seguida, partir para a costa de Itália.

Mas acabaram por passar duas semanas numa espécie de limbo, até serem colocados num avião para a Jordânia, com  ajuda de várias organizações de defesa dos direitos humanos, porque “as fronteiras jordanas e do Líbano estão encerradas para os palestinianos", explica Chris Gunness, porta-voz da agência da Nações Unidas para os refugiados da Palestina e Médio Oriente. Muitos outros refugiados tentam seguir por territórios "controlados por grupos armados. Se tiverem sorte e sobreviverem espera-os uma travessia marítima onde as "suas vidas também são colocadas em risco”, acrescentou.