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“Pingue-pongue humano” mantém milhares de pessoas à deriva nos mares do sudeste asiático

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RONI BINTANG/REUTERS

Tailândia, Malásia e Indonésia estão a repelir barcos cheios de migrantes esfomeados vindos de Mianmar (antiga Birmânia) e do Bangladesh, num “pinguepongue humano” denunciado pelo alto comissário das ONU para os refugiados, António Guterres, e por diversas ONG.

Centenas de pessoas foram socorridas esta sexta-feira ao largo da Indonésia, depois do naufrágio de uma embarcação com 712 pessoas a bordo que tinha sido repelida pela Malásia, mas muitos mais devem permanecer à deriva em embarcações cheias de migrantes vindos de Mianmar (antiga Birmânia) e do Bangladesh.

"Cerca de 6000 migrantes rohingyas (minoria muçulmana vinda de Mianmar) do Bangladesh estarão bloqueados no mar, em condições precárias", afirma o alto comissário das Nações Unidas para os refugiados, António Guterres, manifestando-se chocado por Tailândia, Malásia e Indonésia estarem a repelir milhares de migrantes esfomeados, num “pinguepongue humano" denunciado por diversas organizações não-governamentais.

"Estou chocado com as informações, segundo as quais Tailândia, Indonésia e Malásia estão a repelir barcos cheios de migrantes vulneráveis, o que inevitavelmente vai provocar mortos", disse o dirigente português. "Temos de concentrar-mos na forma de salvar vidas, não de as pôr em perigo", apontou.

Nos últimos dias, mais de 2000 migrantes chegaram à Malásia e à Indonésia, mas ambos os países declararam não poder receber mais pessoas. “O que querem que façamos?”, perguntou esta quinta-feira o ministro-adjunto da Administração Interna malaio, Wan Junaidi Jaffar. “Temos sido simpáticos com as pessoas que chegam junto à nossa fronteira e tratamo-las de modo humano. Mas elas não podem continuar a afluir à nossa costa desta forma. Temos de lhes transmitir a mensagem clara de que não são bem-vindas”, acrescentou.

"As Marinhas tailandesa, malaia e indonésia devem acabar com este jogo de pinguepongue humano e, pelo contrário, trabalhar em conjunto para salvar todos os que estão nestes barcos funestos", declarou o diretor-adjunto para a Ásia da Human Rights Watch, Phil Robertson.

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