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Golpe de Estado no Burundi falhou

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Presidente Nkurunbziza a ser escoltado no aeroporto de Dar es Salem, Tanzânia, na quarta-feira

Reuters

O Presidente Nkuyrunziza está de volta ao Burundi e três responsáveis pela tentativa de golpe de Estado foram detidos.

Apesar de nas ruas de Bujumbura, capital do Burundi, ainda se ouvirem alguns tiros, nomeadamente junto às instalações da estação de rádio nacional, a tentativa de golpe de Estado terá sido travada pelas tropas leais ao Presidente Pierre Nkurunzizza, que já terá entretanto conseguido regressar ao país. Três líderes da sublevação foram capturados.

“O Presidente Nkurunbziza está de volta ao Burundi após uma tentativa de golpe de Estado. Ele dá os parabéns ao exército, à polícia e ao povo burundiano”, refere um curto SMS da presidência, citado pela agência Reuters.

Um responsável presidencial confirma o teor da mensagem, não esclarecendo contudo em que local do Burundi se encontra Nkurunziza ou como terá regressado da Tanzânia, para onde partira na quarta-feira para participar numa cimeira, horas antes de ter ocorrido a tentativa de golpe de Estado.

O porta-voz dos líderes da sublevação, Venon Ndabaneze, confirmou à AFP que os golpistas decidiram render-se quando as tropas aliadas do Presidente o detiveram a ele e a outras duas figuras de destaque.

"O nosso movimento falhou"
Entre os três líderes do golpe de Estado detidos encontra-se o general renegado e antigo ministro da Defesa, Cyrille Ndayirukiye, segundo refere a BBC. "Pessoalmente, eu admito que o nosso movimento falhou", disse à agência noticiosa AFP. "Encontrámos uma grande determinação militar para apoiar o regime no poder", acrescentou.

"Apesar de ter falhado, a nossa iniciativa expôs que a organização das forças de defesa e segurança não é profissional", disse ainda, salientando que as forças estão "subservientes ao partido no poder".

O general denunciou também que o chefe das Forças Armadas é leal ao Presidente ao seu "perigoso grupo de aliados, que são corruptos e que estão a destruir o Burundi".

Oficiais da polícia confirmaram que os rebeldes estão a fugir ou a render-se depois de um ataque falhado à televisão pública.

Mais de 100 mil cidadãos abandonaram o país
O líder da sublevação, o general Godefroid Niyombare, antigo responsável pelos serviços secretos que fora demitido há alguns meses, não foi contudo ainda capturado.

A contestação ao Presidente Nkurunbziza acentuou-se após ter anunciado, a 26 de abril, que tenciona concorrer para um terceiro mandato nas eleições de junho.

Os seus opositores consideram que a sua recandidatura é inconstitucional, mas o Presidente diz que um parecer do Tribunal Constitucional lhe indicou que o pode fazer, tendo em conta que o seu primeiro mandato ocorreu em sequência de uma decisão do Parlamento e não por eleição popular, e que por isso não conta.

Mais de 100.000 burundianos fugiram para os países vizinhos desde o início da violência pré-eleitoral em abril, anunciou esta sexta-feira a ONU. 

Entretanto, grupos da sociedade civil estão a apelar às pessoas para regressem às ruas em protesto.

Durante a guerra civil, o exército comandado pela minoria tutsi combateu contra grupos rebeldes da maioria hutu, entre os quais o liderado pelo atual Presidente. Após as tréguas, o exército integrou os grupos das duas etnias.