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Chuka Umunna recua

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Depois de ter feito um vídeo surpreendente para anunciar que era candidato à liderança dos Trabalhistas, no Reino Unido, o favorito de Blair retira-se da corrida alegando pressões incómodas.

Jocelin Bec

Cinco candidatos entraram na corrida à liderança do Partido Trabalhista (e poderá haver mais), mas nenhum teve uma entrada tão badalada quanto o deputado Chuka Umunna. Num vídeo publicado na terça-feira, o ministro-sombra da Economia postulava-se para suceder ao demissionário Ed Miliband. Nesta sexta-feira, porém, fez saber que se retirava da corrida.

Umunna explica, num comunicado, que os três dias que durou a candidatura trouxeram uma  “pressão acrescida” que não foi  “uma experiência confortável” e confessa que, embora já antes das legislativas de 7 de maio tivesse pensado avançar em caso de derrota (como veio a suceder), sempre teve dúvidas sobre se seria  “cedo de mais para lançar esta corrida à liderança”. Agora sabe que sim, diz. Um jornalista do Channel 4 diz que Umunna terá ficado incomodado pelo enxame de jornalistas à sua porta e à de familiares da sua namorada, incluindo uma avó de 102 anos.

O deputado diz-se empenhado em continuar o seu trabalho no governo-sombra, sobretudo na campanha que se irá desenrolar em breve para decidir se o Reino Unido fica ou não na União Europeia. O primeiro-ministro David Cameron, reeleito com maioria absoluta na semana passada, prometeu realizar um referendo até ao fim de 2017, admitindo-se que possa ser mais cedo. Para o diário conservador “The Daily Telegraph”, a saída de Umunna é uma boa notícia para os conservadores, pois ele era “o candidato mais temido” na direita britânica.

De olhos em Londres ou num jornal de domingo?

As edições digitais dos jornais britânicos falam de motivos para lá dos declarados por Umunna. Fontes citadas por Anoosh Chakelian, subdiretora da revista de esquerda  “New Statesman”, dizem que o agora ex-candidato poderá aspirar a concorrer pelos trabalhistas à Câmara Municipal de Londres, em 2016.

“The Guardian” recorda, porém, que já há dois concorrentes muito fortes a essa disputa, os ex-ministros Tessa Jowell e Sadiq Khan, além de que seria pouco consentâneo com a explicação sobre “pressões”, as quais continuariam a existir. E, se Umunna disse querer proteger os que lhe são próximos do stresse de uma campanha, os jornais perguntam, nesse caso, porque é que apareceu em público com a namorada, pela primeira vez, dias antes de declarar que queria ser líder.

Outra explicação vem do diário  “The Times”: Umunna terá sabido que um jornal a sair no próximo domingo irá noticiar algo de pouco abonatório em relação à sua pessoa, de onde a decisão de recuar. A equipa que apoiava a candidatura já desmentiu essa hipótese.

Na corrida continuam o ex-ministro da Saúde Andy Burnham e a ex-ministra do Trabalho Yvette Cooper, vistos como os mais fortes. Avançaram, também, as deputadas Liz Kendall e Mary Creagh. Admite-se que outros candidatos, como Tristram Hunt ou Keir Starmer, possam entrar na corrida, pois o prazo para apresentar candidaturas só acaba a 15 de junho. A eleição será a 10 de setembro.

Mais poderes para a Escócia

A confusão reinante no Partido Trabalhista e divergências internas no Partido da Independência do Reino Unido (o eurocético UKIP, cujo líder, Nigel Farage, foi ontem alvo de fortes críticas de vários militantes, depois de se ter demitido a seguir às eleições, voltando com a palavra atrás no dia seguinte) reforçam a aura vitoriosa do Partido Nacional Escocês (SNP), que é de longe a força oposicionista em melhor forma.

Hoje, Cameron visitou a primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, líder do SNP, na residência oficial em Edimburgo. Discutiram a transferência de mais competências para o governo regional. O primeiro-ministro britânico admitiu dar mais poderes a Edimburgo no tocante aos impostos e ao Estado-providência. Rejeitou qualquer hipótese de repetir em breve o referendo à independência (realizado a 18 de outubro e vencido pelo não com 55% dos votos), lembrando que o antecessor de Sturgeon, Alex Salmond (agora deputado em Westminster) disse que a consulta fora “a oportunidade de uma geração”.

  • Chuka Umunna. O preferido de Blair avança

    Tem 36 anos e fez um vídeo quase descuidado em que parece que está simplesmente a comentar, mas na verdade é para se anunciar: que é candidato, que quer liderar os trabalhistas. Os do Reino Unido.