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Autor do atentado de Boston condenado a pena de morte

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Esboço de Tsarnaev feito durante o julgamento

Reuters

A defesa alegou que Dzhokhar Tsarnaev tinha sido influenciado pelo irmão e que estava arrependido. Apesar disso, o júri decidiu por unanimidade que o arguido deve executado por injeção letal.

Helena Bento

Jornalista

Já se sabia há semanas que o júri ia escolher uma de duas hipóteses: perpétua ou pena de morte. Optou pela segunda. A decisão foi anunciada esta sexta-feira pelo juiz do tribunal de Boston, depois de 14 horas em deliberações em que foram ouvidas mais de 40 testemunhas.

Dzhokhar Tsarnaev, de 21 anos, já tinha sido classificado culpado dos 30 crimes - 17 deles puníveis com pena capital - de que fora acusado no início de março, entre os quais homicídio e uso de arma de destruição maciça. 

Na passada terça-feira, a defesa, constituída por Judy Clarke, apelou uma última vez à misericórdia do júri. "A misericórdia nunca é merecida, é oferecida".

Tal como na primeira fase do julgamento, que teve início a 4 de março e permitiu ouvir cerca de 90 testemunhas (entre participantes na corrida e familiares das vítimas, que recordaram o momento da detonação das duas bombas de fabrico artesanal) a defesa alegou que Dzhokhar Tsarnaev estava arrependido e que tinha sido influenciado pelo seu irmão mais velho, Tamerlan Tsarnaev (morto num tiroteio com a polícia horas depois do atentado), que foi apresentado como arquiteto do plano e seu principal executor, tendo ainda sido descrito como uma figura "dominante". 

Apesar disso, o júri, constituído por cinco homens e sete mulheres, decidiu por unanimidade que Dzhokhar Tsarnaev deve ser punido com a morte por injeção letal, depois de ter avaliado os argumentos a favor da aplicação da pena de morte e os fatores atenuantes apresentados pela defesa (que tem agora a possibilidade de recorrer da decisão). Dos doze jurados, apenas três acreditaram que o arguido agiu por influência do irmão. 

Tsarnaev manteve-se em silêncio e limitou-se a baixar a cabeça quando foi anunciada a pena de morte. Até ser ouvida a decisão final, para a qual ainda não foi anunciada uma data, vai permanecer sob custódia dos serviços federais. Nessa altura, terá a oportunidade de falar, se assim o desejar. 

À saída do tribunal, Carmen Ortiz, a procuradora federal que liderou as investigações ao atentado, agradeceu ao júri, procuradores e restantes funcionários, e disse que a decisão tomada "mostra que mesmo o pior dos piores merece um julgamento justo". 

Questionada pelo "The Guardian" a respeito do artigo que os pais da vítima mais jovem do atentado (um rapaz de oito anos) publicaram no "The Boston Globe", pedindo que não fosse aplicada a pena de morte ao arguido, Carmen Ortiz disse que as palavras de Bill e Denise Richard escreveram tiveram "um grande impacto". Não o suficiente, porém, para evitar a sentença. 

As deliberações dos jurados começaram quase dois anos depois de Tsarnaev e o irmão terem levado o cabo o seu plano, a 15 de abril de 2013, que resultou na morte de três pessoas e 264 feridos. O atentado foi considerado o pior ato de terrorismo em território norte-americano desde o 11 de setembro de 2001.  

Os irmãos chechenos, que viviam há 10 anos nos EUA com a família, terão levado a cabo os ataques à bomba como forma de retaliação pelas guerras no Afeganistão e no Iraque, segundo uma carta escrita por Tsarnaev.