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Militares indonésias forçadas a realizar testes de virgindade

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O exército indonésio discrimina homens e mulheres, obrigando estas a fazerem testes de virgindade humilhantes

Beawiharta Beawiharta / Reuters

As militares indonésias estão a ser submetidas a uma prática que a Human Rights Watch qualificou, esta quinta-feira, de "discriminatória, invasiva e humilhante". Para o país, que já realizou estes testes em aspirantes a polícias, trata-se de aferir da boa ou má mentalidade das candidatas.

A Human Rights Watch (HRW) qualificou hoje de "discriminatórios e invasivos" os testes de virgindade que a Indonésia tem vindo a realizar nas mulheres indonésias na recruta, apelando para a sua imediata interrupção. A história não é nova: já o ano passado a HRW havia denunciado estes testes, na altura aplicados a mulheres aspirantes a integrar as forças policiais. E numa pesquisa que teve lugar entre maio de 2014 e abril deste ano, a organização de direitos humanos entrevistou onze militares que foram sujeitas a esta prática, que consiste no chamado "teste dos dois dedos", em que um médico confirma se o hímen se mantém intacto. 

"Precisamos de examinar a mentalidade das nossas candidatas", explicou ao jornal "The Guardiano porta-voz dos militares indonésios, Fuad Basya. "Se elas já não são virgens, se são desobedientes, isso significa que a sua mentalidade não é boa." Basya reconheceu que estes testes são habituais no seu país e diz que permitem distinguir se uma mulher perdeu a virgindade "acidentalmente" ou se, pelo contrário, é sexualmente ativa. "Continuaremos a fazê-los porque, para se ser militar, o mais importante é a mentalidade da pessoa. Requisitos físicos e intelectuais são secundários", especificou o porta-voz.

"Prejudicial e humilhante" 
"Senti-me humilhada e estava muito tensa. Chocou-me perceber que o médico que ia fazer o teste era um homem", confessou à HRW uma das mulheres testadas que entrevistou. Por sua vez, uma médica contou como as jovens estavam relutantes ao serem posicionadas como se fossem dar à luz, descrevendo o que diz ser uma "tortura". 

Para Nisha Varia, advogada de direitos humanos da organização, "a Indonésia deve reconhecer que os testes, que são prejudiciais e humilhantes para as recrutas mulheres, não têm nada a ver com fortalecer a segurança nacional".