Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Já são quatro a querer liderar os trabalhistas britânicos

  • 333

A ex-ministra do Trabalho quer liderar o Labour

Peter Nicholls / Reuters

Yvette Cooper é a última adição à lista de aspirantes a suceder a Ed Miliband. Os Liberais Democratas também procuram novo chefe.

A natureza tem horror ao vazio e a política faz parte da natureza, pelo menos da humana. Menos de uma semana depois da demissão de Ed Miliband, já existem quatro candidatos à liderança do Partido Trabalhista britânico. Há cinco anos, quando Gordon Brown atirou a toalha, foram cinco. Mas nada garante que a atual lista esteja encerrada.

Ontem a deputada Yvette Cooper, que é ministra-sombra do Interior, anunciou que se candidata a chefe dos trabalhistas. Antes dela fizeram-no Liz Kendall, Chuka Umunna e Andy Burnham, todos reeleitos para o Parlamento nas eleições legislativas do passado dia 7 de maio, em que os trabalhistas sofreram uma dura derrota e os conservadores conquistaram a maioria absoluta.

Cooper prometeu, num artigo escrito no jornal “The Daily Mirror”, simpatizante dos trabalhistas, que a prioridade da sua candidatura será melhorar a vida das famílias. A também antiga ministra do Trabalho diz não querer um regresso “às soluções do passado, de Gordon Brown ou Tony Blair” mas, à semelhança deste último, quer “deixar para trás os velhos rótulos de esquerda e direita”. Segue, possivelmente, a análise feita por muitos de que Miliband perdeu por guinar demasiado à esquerda. Para a candidata, embora os eleitores gostassem de muitas propostas dos trabalhistas, elas “não foram suficientes para lhes dar esperança e confiança”.

Sob o espectro de Tony Blair

Blair, a quem muitos acusam de ter desvirtuado o partido com a corrente do New Labour (lançou a Terceira Via, muito em voga nos anos 90, do alemão Schröder ao português Guterres), mas que também assegurou três vitórias consecutivas (1997, 2001 e 2005), tem estado muito presente – sem ser nomeado – nos discursos dos aspirantes a líder. Andy Burnham, ministro-sombra da Saúde, anunciou ontem que também avança, defendendo que o partido tem de “falar para todos e para o país inteiro”, como fez em 1997, ano da primeira vitória de Blair.

Antes dos dois candidatos anunciados ontem, já tinham avançado a deputada Liz Kendall e o deputado e ministro-sombra da Economia Chuka Umunna. O Partido Trabalhista anunciou ontem que a eleição será realizada a 10 de setembro, antes da convenção anual. O prazo para apresentar candidaturas é 15 de junho.

Será a primeira eleição levada a cabo sob as novas regras – “uma pessoa, um voto” –, em vez do colégio eleitoral tripartido que dava igual peso a militantes, deputados e eurodeputados, e sindicatos afiliados. Poderão votar militantes e simpatizantes que se inscrevam até 12 de agosto. Desde o desaire nas urnas, o partido já ganhou 30 mil novos membros.

Farron quer um partido mesmo liberal

Igualmente decapitados ficaram, após as legislativas, os Liberais Democratas. O seu líder, Nick Clegg, vice-primeiro-ministro no anterior Governo (coligação com o Partido Conservador), renunciou ao cargo depois de o partido ter caído de 57 para oito deputados, deixando de ser relevante para formar Executivo.

Dois militantes avançaram, até agora, para a liderança: ontem, o esperadíssimo Tim Farron, que já foi presidente do partido e quer reafirmar as credenciais liberais da força política; na segunda-feira, Norman Lamb. Os Liberais Democratas também ganharam militantes após a derrota, em número de 11.500. A eleição do novo líder decorre a 16 de julho.