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Mais mortos no Nepal. É preciso "esperança" e "coragem"

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Milhares de pessoas deixam as suas casas no Nepal com medo de derrocadas

FOTO EPA/ Hemanta K. Shrestha

Há registo de pelo menos 83 mortos - 65 no Nepal, 17 na Índia  e um no Tibete - e  mais dois mil feridos, segundo o último balanço. Especialistas alertam para o risco de mais vítimas, face a deslizamentos de terra com as monções.

Depois do pânico, a calma relativa. Mas o medo permanece. Milhares de nepaleses passaram esta noite nas ruas,  face ao receio de novas réplicas após o sismo de 7,3 na escala de Richter que fez tremer na terça-feira o país e que causou pelo menos 83 mortos e mais de 2 mil feridos. Muitos deles nem chegaram a regressar às suas casas desde há duas semanas e meia quando outro sismo de maior intensidade (7.8) abalou o Nepal, matando mais de oito mil pessoas no passado dia 25 de abril.

Sem tempo para o luto, os nepaleses foram assaltados por um novo abalo e por sucessivas réplicas - uma delas com intensidade 6.3 cerca de meia hora após o sismo - que continuam esta quarta-feira.

Segundo o último balanço das autoridades, há registo de pelo menos 83 mortos - 65 no Nepal, 17 na Índia  e um no Tibete - e mais de dois mil feridos. Alertam porém que o número de vítimas poderá ser superior, uma vez que existem dificuldades nas comunicações com as zonas rurais.

"Perante mais um desastre natural como este temos que ter coragem e esperança para enfrentá-lo", declarou o primeiro-ministro nepalês Sushil Koirala.

No Nepal, os distritos de Dolakha e de Sindhupalchowk terão sido os mais atingidos pelo terramoto na terça-feira, embora seja difícil ter já uma avaliação global que inclua as zonas mais remotas.

Há registo do colapso de pelo menos dois grandes edifícios em Katmandu, além de deslizamentos de terra em algumas localidades fora da capital.

Entretanto, os especialistas já alertaram que as monções - que chegam ao país nas próximas semanas ou no mais tardar em junho - deverão agravar a situação dos habitantes que vivem em zonas consideradas de risco, sendo urgente a retirada dessas famílias para outros locais.

Um relatório divulgado na última semana pelo Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado de Montanhas (ICIMOD) já identificava seis zonas críticas com risco de deslizamento de terras e avalanchas na região: cinco delas no Nepal e uma nova Tibete.

"Neste momento temos várias zonas em risco ao mesmo tempo, o que constitui um grande problema", disse à Reuters David Molden, diretor-geral da ICIMOD.  

Bishal Nath Upreti,  diretor de uma associação que procura dar resposta a desastres no Nepal, acusa por sua vez o Executivo nepalês de não fazer o suficiente quanto à prevenção de tragédias, nomeadamente na identificação das zonas de maior risco e na retirada da população dessas regiões. 

Antes da reabilitação das infraestruturas,a  prioridade das equipas de ajuda nesta altura é fornecer alimentos, água e medicamentos à população mais afetada pelo terramoto. 

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