Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Chefe militar norte-coreano executado sem apelo

  • 333

O chefe militar norte-coreano Hyon Yong Chol (direita) na 4ª Conferência de Segurança Internacional de Moscovo... antes de ter alegadamente adormecido

© Sergei Karpukhin / Reuters

Pyongyang está instável: Kim Jong-Un recorre cada vez mais às purgas para afirmar a sua autoridade.

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

Hyon Yong Chol caiu em desgraça e foi executado por traição. O anúncio foi feito nesta quarta-feira pela Agência de Informação Nacional de Seul (NIS), que inscreve a execução do responsável máximo pela Defesa da Coreia do Norte no âmbito de uma purga entre as elites do país. É o que o líder indiscutível Kim Jong-Un anda a fazer desde que herdou a presidência do seu pai, quando este morreu em 2011. 

Após uma demissão sem apelo, Hyon Yong Chol foi sujeito a uma execução pública à qual assistiram centenas de pessoas: esperava-o um pelotão de fuzilamento que descarregou sobre ele metralhadoras antiaéreas, escreveram os media sul-coreanos citando os comentário do NIS a uma comissão parlamentar.  

Ao que tudo indica, Hyo caiu em desgraça depois de ter feito uma comunicação numa conferência sobre segurança que decorreu em Moscovo, em abril passado. O que constou de seguida foi que o chefe da Defesa norte-coreana mostrou falta de respeito pelo líder máximo do país ao cabecear numa parada militar, segundo as mesmas fontes. 

Esta execução de Chol - um general pouco conhecido que foi promovido a vice-marechal do exército em 2012 - surge na sequência da execução de 15 militares seniores desde o início do ano como resposta ao facto de terem confrontado a autoridade de Kim Jong-Un. 

"A política interna da Coreia do Norte está atualmente muito volátil e parece não haver muito respeito por Kim Jong-Un entre os dois níveis mais altos da liderança norte-coreana", esclarece Michael Madden, do think tank 38 North ao diário britânico "The Guardian". 

Em 2013, Kim demitiu e mandou executar o seu tio, Jang Song Thaek, considerado o segundo homem mais poderoso do círculo de liderança do país. A acusação oficial foi de corrupção e culpa de crimes afetando a economia. A condenação abrangeu também uma série de homens da confiança de Thaek. A conclusão que se pode adiantar neste momento é que as lideranças militares na Coreia do Norte têm estado em permanente reformulação desde que Kim Jong-Un subiu ao poder.