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Internacional

Seis mil pessoas podem estar à deriva nos mares do Sudeste Asiático

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Nos últimos dois dias, 1600 rohingya chegaram às costas da Malásia e da Indonésia

EPA

Numa altura em que a União Europeia tenta que a ONU dê luz verde a uma operação militar para conter a vaga de imigração ilegal através do Mediterrâneo, noutro ponto do planeta, junto ao estreito de Malaca, uma outra tragédia, com muçulmanos vindos de Mianmar, pode estar iminente.

Abandonados pelos traficantes, centenas de migrantes muçulmanos vindos de Mianmar (antiga Birmânia) chegaram a terra nos últimos dias, mas calcula-se que muitos mais permaneçam nos mares em embarcações sobrelotadas junto ao Estreito de Malaca. 

Cerca de seis mil muçulmanos bangladeshis e rohingya podem estar à deriva no mar, em risco de ficarem sem água potável e alimentos, calcula Chris Lewa, diretora da ONG Projeto Arakan, que tem monitorizado as partidas e chegadas de migrantes na região há mais de uma década.

O alto comissário das Nações Unidas para os refugiados, António Guterres, e responsáveis de diversos países e organizações internacionais mantiveram reuniões de emergência receando que a situação dê lugar a uma enorme tragédia, mas por enquanto não há planos para operações de busca imediatas.

Ao início de segunda-feira, uma embarcação chegou a águas da Indonésia e foi parada pela marinha que forneceu água, alimentos e indicações sobre a direção para Malaca, o destino final que os migrantes pretendem atingir.

Minoria de 1,3 milhões de muçulmanos num país budista
Os rohingya são muçulmanos e vivem há décadas em Mianmar, país maioritariamente budista, onde são mantidos numa situação de discriminação. O regime considera-os imigrantes ilegais do Bangladesh, apesar das suas famílias já habitarem no país há várias gerações. 

Nos últimos anos, esta minoria religiosa, de cerca de 1,3 milhões de pessoas, foi alvo de diversos ataques que fizeram 280 mortos e obrigaram 140 mil a abandonarem as suas casas.

Atualmente são mantidos em condições de apartheid, em campos sobrepovoados situados nos subúrbios da capital de Mianmar, quase sem acesso a educação e a cuidados de saúde.

Chris Lewa estima que mais de 100 mil homens, mulheres e crianças partiram em embarcações desde meados de 2012.

A maioria tenta chegar à Malásia, mas as recentes operações de desmantelamento das redes dos traficantes fez com que estes se escondessem e os abandonassem.

Nos últimos dois dias, 1600 rohingya chegaram às costas da Malásia e da Indonésia. O porta-voz da marinha indonésia, primeiro almirante Manahan Simorangkir, disse que tentavam ir para Malaca, mas que se desviaram da rota.

“Nós não tentámos impedir que entrassem no nosso território, mas porque o seu país de destino não é a Indonésia, pedimos-lhes para continuarem para o país para onde pretendem mesmo ir”, afirmou.

Os países da região não têm lançado operações para o seu salvamento, receando que se o fizessem iriam tornar-se no destino de vagas de migração.